Há várias maneiras de se contar
uma história, pode ser através de um desenho, uma pintura, dança, música, poema,
filme etc. Eu escolhi ou, estou escolhendo a arte da escrita, que para mim, me fez
e me faz questionar algumas coisas e, acho que me fará questionar algumas ainda, sabe. Sempre que acontecia algo comigo e/ou queria extravasar, ficava com raiva, gritava e chorava e, confesso, até umas
brigas rolavam, principalmente nas escolas e algumas com direito a socos kkkk,
pois é, às vezes eu batia nos colegas que faziam chacota comigo, ainda dá
vontade de vez em quando, mas eu parei com isso e agora só escrevo mesmo kkkk.
Demorou um pouco mas acho que agora encontrei outra forma de extravasar!
Bom, não é fácil elaborar algumas
coisas dentro de você, fica tudo tão confuso às vezes e aí só pioram as
coisas...acho que nem sendo a Gloria Pires e o Tony Ramos de SE EU FOSSE VOCÊ
daria jeito, podia até acabar bagunçando ainda mais. Imagina eu na sua cabeça e
você na minha? Acho que até poderia piorar o que seria para melhorar. Na TV dá
certo porque é filme e tudo se ajeita no final. Relações humanas são complicadas,
muita complexidade em jogo, mas ainda sim acho que vale a pena algumas relações! Meio irônico
talvez né, mas gosto de gente.
Escrevia bem antes de criar esse
blog sabe. Escrevi muitas cartas e bilhetes que nunca mandava. Ás vezes ainda faço isso kkk. Músicas também
me encantavam a ponto de tentar me traduzir em algumas delas. Até tentei fazer
alguns poemas, não era muito boa, mas tudo ou quase tudo que me confortava, eu
fazia. Já estava meio cansada de tanto brigar com quem não estava nem aí. Por
mais que o choro seja terapêutico, também já estava cansada pois na maioria das
vezes era choro de raiva ou de decepção. Enfim, estou tentando canalizar minhas
energias para outras coisas.
Perguntas sem respostas,
desabafos abafados, questões jogadas como um quebra cabeça para montar.... às vezes
me sentia meio deslocada e, acho que, de vez em quando ainda me sinto assim. O
que escrevia acabou virando uma jornada em busca de aceitação que anos depois
se tornaria autoaceitação, processo muito complicado e que às vezes podemos nos
perder no meio do caminho.
Acho que nunca falei aqui o significado do nome do meu blog
né? Falei tanta coisa, escrevi tanta coisa, que já nem sei mais kkkk, enfim, o
nome No limite do equilíbrio tem um significado enorme para mim e a escolha
desse nome foi meio demorado a ser “descoberto” mas, depois de um tempinho e
uma ajuda visual bem específica, por assim dizer, foi criado no ensino fundamental,
na 5ª série para ser mais exata, o nome do que seria, anos mais tarde, um blog, um
trabalho e até uma minipalestra kkk.
Dito isso, destrinchemos o título, está bem! Bom, Limite, vivo no meu né...acho que estou em constante "briga com ele", briga que me refiro talvez seja uma espécie de desafiar, de tentar ir além, e Equilíbrio é porque ele é meio desequilibrado né kkk, costumo até dizer que me equilibro no meu desequilíbrio ou até mesmo que estou numa corda bamba só que no chão kkkkk.
No limite do equilíbrio surgiu
justamente por questões que me foram colocadas e aí juntei com desabafos,
misturei com a tentativa de desmistificar algumas coisas, dei pitadas de emoção
com uma dose de humor, porque né...essa sou eu kkk.
Já me perguntaram sobre minha
deficiência. Algumas pessoas, mesmo curiosas, não perguntam, por vergonha,
preconceito ou por não quererem machucar, ou ainda por convenção social mesmo.
Hoje em dia, perguntam mais, às vezes. Perguntam se me sinto confortável em falar sobre
minha deficiência, o que posso ou não fazer, o que gosto, etc. Na verdade, não lembro direitinho quando de fato cruzei essa
linha de sentar e conversar a respeito da minha deficiência, mas lembro de, quando ingressei na primeira faculdade, em 2005,
Faculdade de Artes Dulcina de Morais, tomando um café na hora do intervalo
entre as aulas, uma colega que era, na época, auxiliar de enfermagem, sentou-se na mesa onde estava tomando café e perguntou, primeiro, se estava tudo bem em falar sobre isso, se
não me incomodaria que ela perguntasse o que eu tinha, e se era de nascença ou
acidente. Aquilo mexeu comigo, mas não no sentido de ter me incomodado, ou de
ter me deixado triste; ao contrário, achei uma boa oportunidade para tentar me
expressar além das coisas que escrevia nas horas vagas na minha agenda, que
fazia as vezes de diário; antes só escrevia sobre isso, o que foi e tem sido
uma espécie de terapia para mim. Foi também nesta faculdade que fiz alguns
trabalhos sobre o tema inclusão, adicionando minha visão pessoal.
Na faculdade, assim como nas
escolas que frequentei, era a única aluna com deficiência da turma, então,
resolvi, de um jeito engraçado (para mim, pelo menos), fazer pequenos textos
contando como me sentia sobre minha deficiência. Foi assim que surgiu
“Fragmentos de Mim”, compilação minha junto com meu antigo professor, Túlio
Guimarães. Aqui conto como foi que ele me “descobriu”. Aconteceu assim: estava
numa aula chamada “direção de atores” e estava, para variar, rabiscando no meu
“agendário”, não costumo usar agendas para a função delas kkk. Então, na hora
que a inspiração bate, eu escrevo, e em uma dessas vezes em que ela veio foi bem
na hora do intervalo. Todos da sala estavam se reunindo com dois ou três
colegas para dirigi-los em sua cena e, eu, como de costume, sentei-me num canto
da sala e fui retocar um dos textos que havia escrito, dentre os vários que
tinha. Então, vendo que eu não estava trabalhando com ninguém, o professor viu
o que eu estava escrevendo e, para minha surpresa, ele gostou e surgiu a ideia
do monólogo. Fiquei tão nervosa quando chegou a hora de apresentar porque, para
mim, uma coisa é apresentar trechos de peças de teatro já montadas, outra
completamente diferente é fazer algo que você escreveu, sobre sua vida.
A verdade é que sempre gostei de
escrever, sempre gostei de contar histórias, só ainda não estava pronta para
contar as minhas. Gostava e, ainda gosto, de comprar bloquinhos, cadernos, tudo
que desse para escrever, assim sempre podia contar como me sentia, se estava
feliz ou triste, se algum acontecimento me incomodava ou não... o mais
engraçado disso tudo é que, como sempre fui muito comunicativa, achava que falar
sobre o que estava me incomodando iria ser o suficiente, mas pelo visto não era
assim. Não é fácil conversar com ou sobre os nossos demônios, olhar para dentro de si e ver
tudo aquilo que está nos inquietando e tentar organizar da melhor forma
possível.
Aqui em casa sempre tenho vários caderninhos,
de muitos tamanhos e adoro comprar mais (gosto muito de papelaria). Por que
gosto de escrever? Bom.... Como sabem, nasci com uma limitação física, uma
deficiência que irá me acompanhar pelo resto da minha vida. Pois bem, o
processo de adaptação ou, diria, autoaceitação, pode ser bem doloroso. Por quê?
A sociedade nos impõe um monte de coisa né, temos que ser funcionais,
“moldados” em um padrão para não atrapalhar, para nos encaixar, caso ao
contrário, somos isolados, excluídos do convívio das pessoas. Pois é, pensando
nisso e em algumas questões desagradáveis que já me aconteceram, achei que
seria um ótimo espaço de desabafo. Infelizmente ou felizmente, remoía o que
havia me acontecido, na maioria das vezes, eram acontecimentos bem específicos
e cada vez que lembrava, um sentimento novo me vinha na cabeça.
No começo achava que por ter nascido como nasci tinha que buscar uma espécie de
perfeição, no sentido de: ok, nasci em uma situação da qual não posso mudar,
mas não posso ficar me queixando por ser assim, tenho que pensar que tem gente
em pior situação que eu e além disso pensava muito também nos meus familiares e
amigos, em quanto eles me ajudaram e me ajudam ainda, mas aquilo que está
incomodando e chateando tinha que pôr para fora de algum jeito né? Precisava me
ajudar, me entender, entender tudo o que estava sentindo, as frustrações,
decepções, o que falavam sobre mim e para mim e como tudo aquilo me afetava.
Também tem as expectativas, suas próprias e dos outros.... difícil não? Isso
causa, na maioria das vezes causa dor, e não só física.
Atualmente acho que, no limite do equilíbrio para mim se tornou ou, tem se tornado, tentar encontrar um equilíbrio entre as minhas limitações físicas e, por que não adicionar emocional também né, afinal guardei tantas emoções ao longos dos anos, "ganhei" novas, tento me desapegar de algumas kkk, acho que hoje em dia tento encontrar um equilíbrio em tudo, já que o meu é meio desequilibrado mesmo kkkk.