sábado, 18 de abril de 2026

Crushes...

Christmas crush, easter crush, birthday crush…. I like these titles, it´s funny, all dough I prefer one at the time or the same in all the festivities😉
I had a few crushes before and hope I have a few more in my life, because there's nothing like those 
butterflies in the stomach to remind us that we're still alive, or at least functioning It’s exciting and a 
little bit scary at the same time, especially in my reality. 
Que chique, escrevendo em inglês só pra dar aquele charme internacional ao relato! 😄

Pois é... confesso que “crush” soa mais bonito que “paixonite”. Embora já tenham me dito que Crush
era o nome de um refrigerante lá pelos anos 70/80. Fazer o quê. Não tenho crush em refrigerante, 
só em pessoas mesmo, tá? Só para deixar claro, antes que venham com alguma piadinha.
O máximo que posso sentir por uma bebida é sede.😂
Bom, a verdade é que relacionamentos ou até ter um crush é tão excitante, tão bonito né...até parece que a gente ganha asas e sai voando... o X da questão é quando essas asas vêm sem manual de
instruções e o pouso não é garantido, em alguns casos, esses voos não precisam ser até o chão né.... 
Calma, eu explico! Nem todo mundo encara de peito aberto relacionar-se com alguém 
que foge do padrão, né? Demorei para aceitar que, às vezes, o maior desafio não era conquistar o crush, 
mas sobreviver ao julgamento alheio. Demorei para aceitar e entender a ideia do que poderia enfrentar, 
por assim dizer. Mas não dava para inventar um método de rejeição gentil? Só para evitar feridas 
profundas...😂
Já escrevi e falei sobre isso algumas vezes, acho, com outros títulos, outras palavras e outros enredos. 
O sentimento, porém, segue igual: cansaço misturado com frustração, mas sempre com aquela 
pitada (generosa) de esperança. Amante dos amores e dos crushes, mesmo que o universo insista 
em me presentear com algumas paixões não correspondidas que, convenhamos, são um clássico 
da vida moderna. 
Uma história feliz por favor? Por exemplo, foi um texto que, digamos, foi um crush que deu 
certo por um instante até virar só mais um episódio da minha série de idealizações românticas. Foi
também minha relação com idealizações românticas e tal.😏
Certa vez declarei numa rede social que, se aquilo que ouvi realmente tivesse abalado minha autoestima, 
estaria perdida. É claro que no primeiro momento, claro que aquilo me afetou, afinal sou daquelas 
que demonstra afeto (quando gosto falo mesmo, acho que até demais....paraaaaaaaaaaaaaaaaamenina!) 
em volumes impróprios para menores😂, mas chega uma hora que a gente cansa. Cansa de justificar-se, 
de explicar-se, de provar que merece ser vista além do óbvio. Cansa de lidar com gente que acha que 
limitação é incapacidade, diferença é desinteresse, humanidade é fragilidade. 
E aí, nesse cansaço, nasce uma força estranha. Uma força que diz: “Eu continuo tendo crushes, sim. 
Continuo me apaixonando, sim. Continuo voando, sim”. Às vezes caímos em ciladas emocionais...
não tem bula que explique né...  
Porque no fim das contas, crush é isso: um voo curto, um friozinho na barriga, um sorriso besta 
no meio da rua. Mas também é um lembrete de que eu posso, e devo, gostar de alguém sem me diminuir
para caber no olhar de ninguém.
E se não der certo? Sem crise. Reajusto as asas, sacudo a poeira emocional, tomo um shot de coragem…
e sigo. Mesmo que possa demorar um pouco 😉 Porque a vida é longa, os feriados são muitos, 
e eu ainda tenho vários crushes pra viver...espero! 😉
 


quinta-feira, 16 de abril de 2026

A religião e eu

Existem assuntos que, se a gente pudesse, deixaria guardados numa caixinha com aviso de “abrir por sua conta e risco”. Política, sexualidade, futebol e religião, esse quarteto que, dependendo da companhia, vira tempestade em copo d’água ou copo voando pela sala. Pois bem, hoje resolvi abrir a tal caixinha. Prometo que sem intenção de doutrinar ninguém; no máximo, doutrinar meus próprios pensamentos, que já escapam pelos poros há anos.😂

Mas tenho plena, ou não tão plena assim, consciência que falar de religião é um dos temas complexos e mais polêmicos que possa existir então tentarei abordar com um pouco mais de suavidade embora não garanta muito a repercussão, se tiver alguma 😉

Minha relação com religião sempre foi uma espécie de pergunta lançada ao vento: Alguém me ouve? Ou...algo? Na verdade, sempre, ou quase sempre, senti uma força ou uma energia que não consigo explicar nem se quisesse. Mas religião, formalmente falando, nunca foi exatamente meu endereço fixo.

Fui batizada na igreja católica com direito a padrinhos, vela, roupinha bonitinha, tudo como manda o figurino. Cresci indo pouco, bem pouco pelo que me lembro, à igreja, às vezes acompanhando minha vó aos domingos (o que mais gostava era passar um tempo com ela) e já acompanhei outras pessoas também, não só em igrejas católicas, sempre com respeito, curiosidade e um pezinho atrás, porque algumas experiências... digamos que não foram das mais acolhedoras.

E é aí que a conversa fica delicada. Palavras ferem. E eu já saí ferida algumas vezes e, acredito que não tenha sido só eu. Não por Deus, não por fé, mas por gente. Gente que, por algum motivo, achou que religião era lente para enxergar minha deficiência. Ou pior: para explicá-la. Como se a ausência de religião somada à presença de uma deficiência fosse uma equação que dissesse algo sobre mim. Dá para entender o incômodo?

Respeito a religião de cada um, a fé de cada um. Sei que para muita gente a religião é abrigo, é colo, é bússola em dias nublados. Eu só encontrei meus abrigos em outros lugares, na arte (principalmente na de escrever 😊), em algumas pessoas, no silêncio, às vezes até no caos. E tudo bem. Cada um se agarra ao que faz sentido.  

O que não faz sentido é usar fé como arma, diagnóstico ou julgamento. Por isso, decidi não me forçar a nada que não me acolha. A espiritualidade, essa sim, continua aqui comigo, do meu jeito torto, livre, meio bagunçado. Talvez seja isso: minha religião é essa conversa interna que tenho com o mundo, com o invisível, comigo mesma.

No fim das contas, sigo acreditando em algo, mesmo que eu não saiba nomear. E sigo acreditando nas pessoas, apesar de algumas tropeçadas. Porque, no fundo, a gente só quer isso: ser visto sem rótulos, sem explicações mágicas, sem teorias mirabolantes. Só visto. E talvez, só talvez, isso já seja uma forma de fé.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Fome de Vida (e Outras Indigestões)

Tenho fome de vida... Daquela vida suculenta, bem temperada, servida em porções generosas e sobremesa incluída. Mas a verdade é que às ela vem temperada com umas pimentas que ninguém pediu. Arde, incomoda, dá vontade de reclamar com o gerente.  Mas não desisto não, mesmo que ela não tenha sido muito gentil comigo... Mesmo que pessoas não tenham sido gentis...

Mas a vida me deu e tem dado material para trabalhar. E olha que material não me falta...dá só uma olhada nos que vem a seguir:

Outro dia, sem aviso prévio, porque memórias inconvenientes nunca batem na porta, estive pensando, não sei exatamente por que, nos episódios de bullying que me vieram a mente há um tempo. Minhas gavetas internas se abriram como quem diz: “surpresa, voltei!”, e de lá saíram de dentro duas lembranças tão fortes quanto uma bolada de queimada no rosto... ambas da minha versão ensino fundamental. Por mais que aquela versão ainda habite em mim, como tudo ao longo do tempo muda e evolui, também passei por essa transformação, hoje já um pouco de cabelos grisalho e com machucados e cirurgias, mas confesso que ter de volta tais lembranças já consigo encontrar outas reações dentro de mim.

Percebi que hoje eu reajo diferente. Não porque ficou leve (trauma não vira pluma) mas porque eu virei outra. Cresci, mudei, evoluí, descasquei umas camadas, coloquei outras. A versão fundamental ainda existe, mas agora ela divide espaço com alguém que sabe olhar para trás sem se perder lá.

Não se engane, não foi legal na época e com certeza não é agora. Não estava preparada para sua volta, e definitivamente não estava na minha programação do dia. Mas já que apareceram, resolvi não expulsá-las. Quem sabe não viram material criativo? Vai que rendem uma crônica (Aliás, já renderam: o texto “A gangue do deboche”. Obrigada, memórias inconvenientes, pela colaboração involuntária.)

Hum... E aí, no meio desse revival inesperado, me peguei pensando nas temidas, para mim pelo menos, 3ª e 5ª série. Temida por alguns. Ou só por mim. Talvez só por mim mesmo, porque cada um sabe onde o calo apertou e onde o tênis escolar machucou.

E, claro, como toda boa memória inconveniente, ela trouxe companhia: A 3ª série trouxe o isolamento dos colegas. Se fosse hoje, talvez eu até agradeceria a distância, só não precisava ser com tanta crueldade. Dividiram a sala para “não pegar” (pegar o quê? A babaquice deles?). Na educação física, ninguém me escolhia para nada. E alguns professores achavam que me dar tarefas “fáceis” era uma forma de… sei lá… não ter trabalho? Já a 5ª série trouxe os olhos verdes. Eram verdes mesmo? Ou eu só estava prestando atenção demais neles? (Tive uma fase de desenhar olhos, então pode ter sido isso.) Teve outras coisas também, mas a memória resolveu focar no que era mais cinematográfico.

A verdade é que a escola ficou para trás, e eu também fiquei bem feliz de deixá-la lá, quietinha no passado, sem reencontros (embora tenha tido um inesperado alguns anos atrás), sem grupos de WhatsApp, sem “vamos marcar”?.

Não tive mais contato com ninguém daquela época. E, sinceramente, talvez seja por isso que hoje eu tenha tolerância zero para comportamento nível 5ª série. Um pouquinho eu aguento, vai, ninguém é de ferro. Mas exagerou, eu já começo a ouvir o barulho da bolada vindo em câmera lenta.

Hoje, modéstia à parte, me considero alguém que consegue revisitar as gavetas sem desmoronar (muito, pelo menos😉). Alguém que, mesmo com cicatrizes, ainda tem fome de vida. E fome grande.

                                                           

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Palavras em minha vida – quase uma sopa de letrinhas

As palavras nem sempre foram minha amigas íntimas, mas sempre estiveram por lá, como em uma prateleira de loja, para que pudesse escolher e pegar quando eu estivesse pronta. Mas aí é que está: quando ficamos prontos? (Como se alguém algum dia ficasse pronta para qualquer coisa, a vida não tem manual não).

Já tive fase de papel de cartas, moedas, canetas de quase todas as cores (estas ainda me seduzem, confesso😉), outras coisas que nem lembro mais. Mas palavras nunca foram fase, sempre estiveram presentes, constantes e teimosas. Tipo sopa de letrinhas.

Sabe aquela música, “Palavras ao Vento”, da Cássia Eller? Então, só que nesse caso a música da senhorita Cássia me parece mais romântica, tanto que já foi até tema de casais de novela e as minhas palavras estão mais para “fazer barulho” ... não sei, nunca foram tão glamurosas ou cinematográficas assim, acho 😊 Se fossem personagem de novela, seriam figurantes que passam ao fundo carregando caixas, tropeçam e ainda derrubam o cenário. E tudo bem. Acho até simpático.

O curioso é que as palavras me encontram de um jeito único, muito particular, digamos. Às vezes chegam inteiras, prontas para uso, como se tivesse passado a manhã toda ensaiando para aparecer. Outras vezes vêm pela metade, tímidas, como se tivessem esquecido o próprio nome. E quando isso acontece, eu invento. Não invento do nada, não sou tão ousada assim. Invento a partir do que lembro, do que sinto, do que quase sei. É como se ao invés de procurar uma agulha, procurar uma palavra no palheiro.

Acredito que da família seja a única com a relação complicada com as palavras. Nunca fui muito fã de leitura, embora tenha alguns livros que vez ou outra me agradavam ler (sim, de vez em quando eu leio 😉). Chega a ser meio irônico gostar de escrever sendo que a leitura nem sempre me é aprazível, mas é assim e nem sempre consigo entender bem o porquê.

Dizem que para quem gosta de escrever tem que ter o hábito da leitura. Eu não tenho, mas isso não me impediu que continuar escrevendo. Todos os dias me deparo com a aparente dificuldade que tenho nesse aspecto da minha vida, especialmente quando me sento para escrever algo, mas as palavras que saem de mim, da minha cabeça (que mais parece um gaveteiro ambulante às vezes), me encontram de um jeito muito particular.

Como diz na página inicial do meu blog: Meu portal de desabafos, superações (não exemplo de superação não ta, não gosto que se refiram a mim desse jeito), histórias e desmistificações. Uma espécie de diário virtual às vezes, a cada obstáculo que ultrapasso é mais um dia em que sei que vou conseguir superar minhas dificuldades. (superar as dificuldades causadas pela deficiência, como consequência, não é superar deficiência...presta atenção galera!)

No fundo, acho que as palavras sempre souberam que eu voltaria para buscá‑las. Mesmo quando eu fingia que não precisava delas.

Elas me esperam. Eu demoro. E, no fim, a gente sempre se encontra, do nosso jeito meio desajeitado, meio poético, meio irônico às vezes, mas, para mim, sempre divertido.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

SOS...

 Terça feira, dia 7 de abril de 2026, enquanto assistia a um filme denso num cinema aqui de Brasília, uma frase me atravessou como uma flecha: tem gente que gosta de flertar com o perigo. Acredito que não seja intencionalmente, ou assim espero, mas como não sou psicóloga, pelo menos não formada ainda, o que me peguei pensando me intrigou bastante e, por lá ficou.

Claro que o filme nem era exatamente sobre perigo, é sobre outra coisa (embora acredito que haja uma relação entre perigo e o que propõe o filme) mas, mesmo assim...a temática do filme em questão está relacionada a crimes de ódio, para dizer o mínimo. Também tenho a dizer sobre crimes de ódio mas hoje, aliás terça, o que ficou em minha mente foi o perigo e porque algumas pessoas procuram por ele.

E, como acontece com pensamentos que chegam assim, abruptos, quase insolentes, ele permaneceu comigo desde então. Me acompanhou até a saída do cinema e seguiu no trajeto de volta para casa. E quanto mais tentava ignorá-lo, mais ele se expandia, como se tivesse encontrado ali um terreno fértil.

Lembrei-me daquela frase que o Simba, do filme Rei Leão, de 1994, disse: eu rio da cara do perigo. Depois, a imagem da personagem da psiquiatra Drª Quinzel deslizando lentamente para dentro do caos que era o Coringa, se tornando Arlequina, ao se apaixonar por seu paciente (não porque queria o mal, mas porque o perigo, para ela, tinha um sorriso sedutor demais) no universo dos quadrinhos.

Fiquei com isso na cabeça... Por que o perigo é tão sedutor? E por que existem pessoas que flertam com ele? E aí a pergunta se impôs: se o perigo fosse uma pessoa, como seria?

Talvez tivesse olhos que brilham mais do que deveriam, daqueles que fazem você esquecer por um instante que luz demais também cega. Talvez falasse baixo, com uma calma que desarma. Talvez soubesse exatamente quando se aproximar, nunca cedo demais, nunca tarde demais. O tipo de presença que faz o coração acelerar, mas você não sabe se é de medo ou de fascínio.

O perigo, se fosse gente, provavelmente teria esse talento estranho de fazer você se sentir viva. Não porque oferece segurança, mas porque te coloca na beira do abismo e sussurra: olha como o mundo é grande daqui de cima.

E por que algumas pessoas flertam com ele?

Talvez porque o perigo promete aquilo que o cotidiano raramente entrega: intensidade. Talvez porque, no fundo, exista uma curiosidade quase primitiva de tocar o fogo só para ver se queima mesmo. Ou porque algumas almas se acostumaram tanto ao caos que o silêncio as assusta mais do que o risco.

Ou, quem sabe, porque o perigo, assim como certos personagens de cinema, sabe exatamente como entrar na mente de alguém e ficar lá, rondando, provocando, perguntando.

E, saindo do cinema naquela noite, percebi que o perigo não é apenas uma força externa. Às vezes, ele é uma pergunta. Uma inquietação. Uma sombra que se move dentro da gente.

E talvez seja por isso que ele seduz tanto. Porque, no fundo, ele nos obriga a olhar para partes de nós que preferimos manter escondidas.

Foi aí então que o pensamento deu outra guinada, comecei a pensar nos perigos relacionados à deficiência. Quando penso nos perigos relacionados à deficiência, percebo que não se trata apenas de obstáculos físicos ou barreiras arquitetônicas. O perigo também pode surgir das atitudes, do olhar alheio que, muitas vezes, subestima ou invisibiliza. Existe um risco silencioso de ser reduzido a um rótulo, de perder nuances e sonhos porque o mundo insiste em enxergar apenas uma parte de quem se é. Além disso, o perigo pode estar no cotidiano: desde a falta de acessibilidade até o medo de não ser compreendido ou protegido em situações de emergência. Para quem vive com deficiência, o perigo frequentemente se apresenta disfarçado de indiferença ou descaso, tornando a vida uma constante negociação entre o desejo de autonomia e a necessidade de segurança.

Tenho uma deficiência física e isso automaticamente, ou não, torna o mundo perigoso para mim. Obstáculos, dúvidas (dos outros e minhas), o querer e realmente poder, porque é muito bonito o ditado: querer é poder mas, hoje observo que nem sempre é assim.

E talvez seja por isso que aquela frase no cinema me atravessou tanto. Porque, no fundo, o perigo não é apenas aquilo que ameaça. Às vezes, ele é aquilo que revela. Aquilo que expõe. Aquilo que nos obriga a admitir que viver, para algumas pessoas, é um ato de coragem diária.

E, naquela terça-feira, percebi que o perigo não estava só na tela. Ele estava comigo. E eu, de algum modo, estava tentando entendê-lo.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Um bicho chamado....

Inteligência emocional.... será que tenho esse bicho ai? Olha, se tiver, ele vive solto, sem coleira, sem guia, sem horário para aparecer. Uma criatura meio arisca, que às vezes me acompanha como um cão fiel e, noutras, some como gato assustado com rojão. Essa inteligência emocional, acredito eu, é uma dessas coisas que a gente passa a vida tentando entender, às vezes acho que tenho sim, outras vezes acho que passou bem longe de mim.

Segundo o pai dos burros, ou seja, o google, ter inteligência emocional envolve alguns fatores que, sinceramente me pergunto em que lugar dentro de mim está... na prática, é mais parecido com montar móvel sem instrução: você acha que está indo bem, até perceber que sobrou um parafuso importante.

Vamos ver então: Quando mais novos, não sei exatamente com qual idade, aprendemos a nomear algumas emoções, né? Isso eu já sei, até parece fácil, mas nem sempre é... ninguém explica como lidar com elas quando crescem junto com a gente e começam a fazer bagunça dentro da cabeça. Tá, nomear eu sei e, como se regula isso? É quase um bicho de sete cabeças na maioria das vezes. Nomeá-las sabemos ou, quase todo mundo sabe. E ainda tem gente que quer mascarar, pode? Acham que sentir-se vulnerável é defeito.

Agora, no mundo da deficiência, inteligência emocional é quase item de sobrevivência. Tipo kit de primeiros socorros, só que para o coração. Ajuda a lidar com certas pessoas que, sinceramente, dá vontade de dar um sacode para ver se acorda. E com algumas situações também né😉Mas respira e não pira (ou tenta) e vai em frente.

O que me dá uma preguiça é, por exemplo, é ver pessoas que se acorram nas suas próprias deficiências como desculpa para tudo, como uma muleta sabe (falo isso com todo respeito do mundo a quem usa muleta de verdade). Ter uma deficiência faz parte da pessoa, claro, ajuda a entender algumas coisas, mas não é justificativa universal. Fica feio, sabe.

No fim, talvez eu tenha essa inteligência emocional aí, sim. Só que ela é meio preguiçosa. Acorda tarde, toma café devagar, pensa demais antes de agir. Mas aparece. Às vezes atrasada, mas aparece. Outras vezes meu filtro social falha, dá pane, mas eu gosto de acreditar que é só a inteligência emocional que perdeu o ônibus e está vindo a pé.

Agora… responsabilidade afetiva. O que será isso, meu Deus do céu? Parece nome de imposto novo, mas não é. É só o básico do básico: cuidar do impacto que a gente causa no outro. Avisar quando não quer, quando não pode, quando não sente. Não deixar ninguém pendurado em expectativa. Ser honesto sem ser cruel. É tipo inteligência emocional aplicada ao outro, não só a nós mesmos.

No fim, talvez tudo isso, inteligência emocional, responsabilidade afetiva, filtro social, seja só um grande quebra-cabeça que a gente monta vivendo. E às vezes falta peça, às vezes sobra, às vezes a gente monta errado. Mas segue tentando. O bom é não desistir, por mais difícil que possa parecer.

Porque, no fundo, o importante é que esse tal bicho aparece. Mesmo que atrasado.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Parque da Jú

 Olha que chique, descobri que havia um parque de diversões dentro de mim. Não daqueles com filas intermináveis e ingressos caros, mas um parque vitalício, carimbado no nascimento, onde ninguém pode me expulsar😊. Um espaço secreto, íntimo, em que as atrações mudam conforme o humor do dia.

Às vezes, a mente vira uma montanha-russa: sobe devagar, despenca derepente, dá voltas inesperadas. O coração grita como quem está no barco pirata (barco viking, meu favorito), balançando entre o medo e a adrenalina. E, claro, não faltam os carrinhos bate-bate, só que aqui eu adapto, tentando não me chocar tanto, equilibrando para não sair com hematomas emocionais e, (alguns físicos também😉).

É engraçado como, mesmo sendo invisível, esse parque é o cenário dos meus dias. Cada brinquedo representa um desafio, uma alegria, uma história diferente. Tem dia que só quero passear pela calmaria do carrossel, outros eu encaro a fila da montanha-russa com coragem renovada.

Mas não pense que é só chegar e entrar. No meu parque, não basta pagar o ingresso. É como naquela música da Marisa Monte, o “infinito particular”: só quem eu deixo atravessa os portões. Porque esse espaço é íntimo, é meu, e nele cada atração revela um pedaço da alma.

Entre risos e vertigens, sigo descobrindo que viver é brincadeira séria nesse parque invisível. Um parque que, apesar dos sustos, insiste em me lembrar que a vida é feita de altos, baixos e surpresas, e que o espetáculo nunca fecha as portas.

E as outras atrações? Um carrossel, roda gigante, a casa dos espelhos... Esta última é a mais desafiadora. Nela, não vejo apenas reflexos: vejo cicatrizes, marcas novas, inseguranças que surgem como brinquedos recém-instalados. É um labirinto de imagens onde meu equilíbrio tenta se equilibrar, para não criar novos machucados e nem incômodos.

Talvez não dê para explicar direito, mas é assim que caminho: entre o riso e o susto, entre o reflexo e a vertigem, aprendendo que meu parque de diversões é também meu mapa da vida. Bom, atualmente, convivendo com minhas singularidades, percebo que esse parque adiciona todos os dias uma emoção nova, inseguranças novas.

Se você leu até aqui, talvez também tenha reconhecido algum brinquedo desse parque dentro de si. Quem sabe, no fim das contas, todo mundo carrega um em silêncio, com atrações únicas, esperando a coragem de viver cada experiência. E é esse convite para brincar, sentir e se conhecer que deixo aqui: descubra seu parque, valorize seu ingresso, e aproveite o espetáculo diário de ser quem se é.