Há assuntos na psicologia que não apenas me chamam, mas me puxam pelo braço como quem diz “vem aqui, isso é seu”. Desses assuntos, se destacam: Neuropsicologia, ACP e Psicodrama. Embora ajam outros temas que me prendam a atenção, acredito que esses três sejam o que mais “falam comigo”. Três mundos diferentes, mas de alguma forma conversam entre si, e comigo. E, às vezes não só falam, mas gritam também.... e, quando isso acontece, não tem muito que fazer além se sentar, respirar fundo e tentar entender o recado.
Talvez
seja por isso que, sempre que escrevo, tento colocar um pouco da minha realidade
dentro desses temas. Tento me encontrar, de certa forma, em quase tudo o que
escrevo, em qualquer tema que seja, não só psicologia. Não dá para separar
completamente, nem quero. Até porque, tanto na minha primeira faculdade, de
Artes Cênicas, quanto na segunda, Psicologia, tento trazer um pouquinho do que
aprendi, e aprendo ainda, nos meus textos combinando com o que vivo
diariamente, o que sinto...afinal, o blog também é para isso né, escrever
também é uma forma de existir😉
E existir,
às vezes doí. Co existir conosco mesmo
e, com nossas questões e singularidades.
Tenho
esbarrado em algumas questões que, insistem em voltar, como aquelas músicas chiclete,
que não sai da cabeça:
Desconforto?
Até onde vamos para tentar caber onde a sociedade muitas vezes não nos dar
espaço para “caber”?
Reduzir?
Já falei e repito, somos mais do nossas deficiências. Mais do que diagnósticos,
laudos, códigos. Ainda assim, por que
insistem em nos ver pelo que falta, pelo que “não funciona”, pelo que “precisa
melhorar”, só pelo diagnósticos que nos deram? Como se fossemos peças de um
quebra cabeça com peças perdidas. E o pior disso tudo é que, às vezes, começamos
a acreditar nisso.
Rotular?
Esse talvez seja o mais traiçoeiro. Pior que às vezes tenho a sensação de que
não é só as pessoas ao nossos redor que fazem isso, senão nós mesmos? Porque não
são só os outros que colam etiquetas na gente. Às vezes somos nós mesmos.
Repetimos rótulos como quem repete um mantra, esquecendo que eles não dão conta
da complexidade que carregamos. Rótulos são fáceis. Viver não.
No fim das contas, talvez eu escreva para
isso: para tentar me encontrar entre esses gritos, esses incômodos, esses
pedaços que não se encaixam. Para lembrar que posso ser muitas coisas ao mesmo
tempo. E que, mesmo quando o mundo tenta me reduzir, eu ainda posso me
expandir.