Tenho preconceito contra o preconceito. Pronto, falei! E não é figura de linguagem, não. É implicância mesmo, daquelas que fazem a gente franzir a testa e suspirar fundo, até para não perder o reú primárioK, como quem tenta entender o inexplicável.
Porque,
sinceramente, que história é essa de diminuir alguém por ser quem é? Que mania
irritante essa de classificar pessoas como se fossem produtos numa prateleira
de supermercado. “Esse aqui serve, esse aqui não serve, esse aqui talvez,
dependendo da promoção.”
É ou não é
sintoma de ignorância?
O preconceito é
isso: ignorância com diploma. Falta de informação, falta de empatia, falta de
vontade de olhar o outro como gente. Falta, falta, falta. E, ainda assim, ele
aparece por aí, desfilando com a maior naturalidade, como se fosse moda antiga
que ninguém teve coragem de aposentar.
Mas eu também não
vou bancar o iluminada. Se tem uma coisa que aprendi vivendo 24 horas por dia,
todos os dias, a realidade de quem tenta enfrentar o preconceito de cabeça
erguida (às vezes chora também mas faz parte) e também dentro da minha própria
cabeça, e olha que é um lugar movimentado, é que ninguém está totalmente livre
disso.
Todos temos
nossos preconceitos, não vou ser hipócrita aqui né... Uns mais escondidos,
outros mais teimosos. A diferença está no que fazemos com eles. (Parece fácil
né...)
E aí entra a
minha teoria, que desenvolvi entre um café e outro, observando o mundo com a
paciência de quem tenta entender um meme antes de admitir que já está velho
demais para isso: Existe o preconceituoso raiz e o preconceituoso Nutella.
Calma, eu
explico. O preconceituoso raiz é aquele clássico, tradicional, quase
folclórico. Cresceu ouvindo absurdos, nunca questionou nada, repete tudo como
se fosse verdade absoluta. É o tipo que acha que opinião é escudo e que
respeito é opcional. Ele não se esconde, não se envergonha, não se atualiza. É
bruto, direto, e infelizmente muito eficiente em espalhar bobagens.
Já o
preconceituoso Nutella… ah, esse é mais sutil. É o que diz “não sou
preconceituoso, mas…”, e aí vem a frase que entrega tudo. É o que se acha
moderno, desconstruído, evoluído, até ser confrontado com algo que desafia seu
mundinho confortável. Ele não grita, não bate no peito, não se assume. Prefere
o preconceito gourmet, temperado com justificativas e boas intenções.
E o mais curioso
é que essas categorias, raiz e Nutella, são gírias novas, memes recentes, coisa
de 2016 pra cá. Mas o preconceito, esse é antigo. Antiquíssimo... Só ganhou
novas embalagens.
No fim das
contas, continuo aqui, com meu preconceito contra o preconceito. Talvez seja o
único tipo que eu aceito carregar sem culpa. Porque, se for pra escolher um
lado, fico com o lado que tenta, pelo menos tenta, fazer o mundo um pouco menos
estreito.
Às vez eu acho que pessoas Nutella podem estar abertas, se quiserem, a adquirem novas informações, conhecimentos... Ou sei lá, às vezes é só minha visão mesmo...