É difícil esse “era uma vez...” Talvez porque essa frase carregue uma promessa grande demais: de que tudo começou num ponto claro, mágico e organizado, com felizes para sempre e tal. Mas e para nós, como seria a história? Uma história PCD... Baseada em fatos reais? Histórias de ressignificações? Histórias que não cabem em conto de fadas, mas cabem perfeitamente na vida... E, cada vida tem suas complexidade né 😉
Bom....de qualquer
forma, cada um tem a sua. A minha foi escrita há quarenta anos e ainda tenho o
que contar. Já deixei algo contado em alguns textos por aí...fragmentos,
vislumbres, lembranças, pedaços que escapam e precisei entender ou simplesmente
registrar, etc.
Deixem que me explique... sempre ou quase, me intriga saber o porquê das
coisa... Está bem...de algumas coisas😉.
E, dessa vez foi a famosa frase “era uma vez...” Porque, convenhamos, para
muita gente essa frase abre portas para mundos perfeitos, príncipes, florestas
encantadas, finais previsíveis. Para mim, ela abre outra coisa: uma história
que não começou com magia, mas com realidade. Uma história que não se desenrola
em linha reta, mas em curvas, desvios, tropeços e recomeços. Uma história que
não pede licença para existir, ela simplesmente existe.
E talvez seja isso que me intriga: como é que a gente encaixa nossas vivências, nossas adaptações, nossas ressignificações dentro de uma frase tão redondinha? 😕Talvez não encaixe. Talvez o “era uma vez” seja só um convite para começar, mesmo que o começo não seja bonito, nem fácil, nem cinematográfico.
Se eu tivesse que definir meu começo, diria que ele foi torto. Mas foi meu.
E, por ser meu, carrega uma força que só quem vive sabe. A força de quem
aprende a caminhar de outro jeito. A força de quem aprende a se explicar, se
adaptar, se reinventar. A força de quem entende que a história não precisa ser
perfeita para ser bonita.
Primeiro:
essa frase “era uma vez”, foi e é usado mais na esfera imaginária, dos
contos de fadas...tendo “nascido” lá no século XVII e que transporte o/a leitor/a
para um universo mágico e cheio de entretenimento. E segundo: meu “era uma vez”
não tem fada madrinha, mas tem gente que segura nossa mão. Não tem castelo, mas
tem resistência. Não tem feitiço, mas tem descobertas que mudaram tudo. E,
principalmente, tem continuidade, pois sigo me revisitando, entendendo, ressignificando.
E, tem humor. Isso é algo que procuro sempre que posso. Porque se a gente
não rir, a história fica pesada demais. E eu aprendi que rir é também uma forma de
ressignificar. É tipo dizer: “ok, vida, você me deu um desafio, mas eu vou
responder com uma piada" (nem sempre dá mas tentamos)!
E assim sigo: escrevendo meu “era uma vez” com realidade, coragem e umas boas risadas no meio. Então, sim... era uma vez.
Era uma vez uma menina que nasceu diferente.
Era uma vez uma família que aprendeu junto.
Era uma vez uma vida que não cabia nos contos de
fadas, mas cabia perfeitamente no mundo real.
Ah... Penso assim agora, está bem? Não sou tão desenrolada ou desconstruída assim.
Sou só...eu e minhas circunstâncias 😉
Até a próxima 😊