terça-feira, 12 de maio de 2026

Intervalo...

Ficar fora da faculdade esse semestre foi como abrir uma janela que eu nem lembrava que existia. De repente, entrou um vento novo, desses que bagunçam o cabelo e, de quebra, o apetite. Não o apetite por comida (esse sempre esteve bem servido), mas o de escrever. Escrever mais, escrever sempre, escrever como quem respira. A verdade é que eu nunca parei, mas agora parece que as palavras voltaram a me cutucar com mais insistência.

E, já que a vida me deu esse intervalo, meio forçado, resolvi preencher e fazer alguns, poucos, cursos que me interessam, para alimentar minha cabeça.  Dentre eles, um curso de educação anticapacitista, que começou dia 30 do mês passado e vai até o dia 12. Logo de cara, me jogaram um conceito novo: DEF. Ainda não sei exatamente o que pensar a respeito. Talvez precise mastigar mais um pouco, deixar decantar.

Mas vamos por parte né.... Voltar um pouco a fita... Curso online, nada de professor chamando pelo nome, nada de levantar a mão. Só eu, a tela e meu caderninho fiel, aquele que já ouviu mais pensamentos meus do que muita gente por aí. Fui anotando tudo que me cutucava, tudo que parecia ter potencial para virar texto, porque algumas ideias são assim: chegam tímidas, mas se a gente não anota, elas fogem pela janela.

Logo na primeira aula, a indagação começou... veio a pergunta que ficou martelando: será que todos conhecemos mesmo o termo capacitismo? E educação anticapacitista? A questão é que acho que se fala de capacitismo, essa palavra circula, aparece em debates, em posts, em discursos, mas nem todo muito sabe o que bicho é esse. Tem gente que acha que é MIMIMI....como se nomear uma opressão fosse capricho e não uma necessidade.

E no meio disso tudo, fiquei pensando em mim. No quanto escuto, dentro de mim mesma: sou capaz...E sou mesmo! Claro que nem tudo vai dar para fazer, até porque ninguém é capaz de tudo, mas aprendi e ainda estou aprendendo, que posso fazer muita coisa quando tento, do meu jeito, no meu ritmo, com as ferramentas que tenho.

Depois é que veio esse conceito até para mim, novo: DEF. Pesei, o que é isso?: Claro, fui pesquisar: parece que é usando em contextos culturais e políticos como abreviatura para deficiência.  Ok, confesso que, por mais interessante a proposta, achei meio estranho, mas vou dar uma chance 😉 Nunca nem tinha ouvido (não é porque tenho uma deficiência que sou “obrigada” a saber tudo da realidade que me cerca. Talvez até devesse, acho, mas não é assim que funciona.

Depois.... o que veio? Um tal de letramento anticapacitista. Ai meu deus, o que é isso? Bom, capacitismo vem de dúvida da capacidade né. Então, anticapacitista é o contrário? Algo assim. Mas aí percebi que não é só isso. Atualmente, depois de muito digerir algumas coisas e adquirir, modéstia a parte, alguns conhecimentos, percebemos que alguns “elogios” acabam por não serem exatamente “elogios” e sim ataques capacitistas sutis, disfarçados, tipo: você é bem bonita, mas tem uma deficiência ou você até que é inteligente, mas.... (já me incomodei muito com esses comentários, mas ... K

O mundo evoluiu (em partes) e, precisamos evoluir com ele né? Claro que leva um tempinho para nos adaptar, nos familiarizar e estarmos abertos a novos conhecimentos, aprender a nomear, etc. Compreender que somos mais do que a deficiência...

Na verdade, no fundo, acho que tudo ou quase tudo é mais sobre como falamos as coisas do que o que falamos. Claro que não dá para sair falando por aí tudo que quer...embora às vezes dê vontade (para algumas pessoas também 😊), dá um alívio enorme.

E você, qual a sua relação com o capacitismo?  Porque, se eu pudesse resumir em uma palavra, a palavra de ordem seria DESCONSTRUÇÃO... Algumas pessoas precisam, na minha opinião, desconstruir alguns discursos capacitistas que ainda são cometidos sem intenção...algumas vezes 😉. Outras precisam desconstruir a si mesmas. E eu, bom… sigo desconstruindo e reconstruindo, como quem ajeita uma casa enquanto mora nela.

 

 

domingo, 3 de maio de 2026

Os outros (cara aberta?)

 Sempre assinei Júlia Maia. Simples, direto, funcional. Nunca me perguntei muito sobre isso: nome e sobrenome, fim de papo, me acostumei assim. Ficou assim como ficam tantas coisas na vida, parte da decoração que a gente esquece de questionar. Nunca tive vergonha do meu nome e nem nada parecido, só aficou assim porque... sim...

Em março desse ano escrevi sobre os Souza, família da minha mãe. Escrevi sobre não saber como foi quando receberam a notícia da minha deficiência. Mas, percebi que acho que nunca escrevi sobre outra metade, a tal metade que nunca entra em cena, os Maia né? Então, Maia é da família do meu pai, como já devem ter percebido. E talvez não fale muito dele porque sinceramente não tenho nem o que falar.

Não conheço a história, e, pra ser franca, nessas alturas do campeonato, não faço questão de saber. Houve um tempo em que quis mais do que um nome na certidão. Queria presença, queria um gesto, queria algo que justificasse carregar esse sobrenome por aí, desde sempre.

Te vi algumas vezes quando já crescida, já adulta. Não vou mentir: bateu aquela emoção de conhecer “o pai”, mas logo passou. Sabe quando acendem umas red flags? Pois é.

Vivi e cresci sem você. E não vou dourar a pílula: isso já doeu demais. Principalmente naqueles dias de festa, na escola, nas datas que parecem feitas só pra jogar na cara o que falta. Mas, do mesmo jeito que a gente aprende a andar de bicicleta (aprendi depois de adulta😉), aprendi a conviver com esse vazio. Eventualmente, acostumei.

Olhando agora, depois de digerir tudo, e não foi fácil, nem rápido, foi o meu processo, que talvez nem tenha terminado (por isso escrevo 😉 ), hoje percebo: talvez tenha sido melhor assim. Talvez o que faltou foi livramento e não perda.

Minha mãe segurou as pontas. Fez o papel dela e o seu, dobrada de trabalho e de amor. Porque, além da filha pequena, veio uma deficiência de brinde, exigindo mais força, mais cuidado, mais tudo.

Cresci com o Maia no nome, sem a história que deveria acompanhar. Um espaço vazio que aprendi a preencher de outros jeitos: mamãe me deu três pais, meu avô e dois tios incríveis. Depois vieram amigos, terapia, escrita (muitas vezes), humor e coragem. O vazio virou lugar de construção, um terreno fértil.

Sigo construindo, escrevendo (às vezes fantasiando, mas sem sair muito da realidade😊), até porque sempre aparece uma coisa ou outra que preciso colocar no papel antes que vire explosão. Acho que escrever é meu jeito, mesmo que pareça meio torto, de extravasar sem descontar em alguém. É meu jeito de abrir a janela quando o peito aperta.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

A adulta que não deixam ser

Até que sou uma pessoa com paciência e tolerância para algumas coisas, claro. Sempre achei que paciência fosse uma espécie de músculo: quanto mais a gente usa, mais forte fica. Mas, ao que tudo indica, com o passar dos anos ele também sofre desgaste, como joelho de quem subiu muita escada na vida. E eu, que sempre me considerei alguém paciente e tolerante, tenho percebido que algumas coisas andam me tirando do sério com uma facilidade quase olímpica.

E nada tem me irritado mais do que essa mania que o mundo, ou melhor, algumas pessoas, têm de me tratar como criança e, isso, confesso, me irrita mais do que eu gostaria de admitir. Não criança no sentido poético, de quem ainda vê encanto nas coisas. Criança no sentido literal mesmo, de quem não sabe, não pode, não entende... A que precisa que falem por ela às vezes, e de preferência em público principalmente, para aumentar a humilhação (que bad gente).

Eu sei, claro, que para os pais a gente nunca cresce de verdade. É quase uma lei da natureza: filhos permanecem pequenos na memória afetiva, mesmo quando já tem cabelos grisalhos, algumas rugas (será?), já pagam boletos (não é meu caso ainda) e reclamam de dor nas costas. Mas existe um plot twist nessa história que costuma complicar ainda mais essa equação: ser filha atípica.

Pais atípicos, ou seja, pais de filhos com deficiência e, aqui falo com todo cuidado, porque sei que cada família é um universo, parecem viver com uma dúvida permanente estampada no olhar. Cada coisa que faço, cada decisão que tomo, cada passo que dou, vira uma interrogação silenciosa: “É ela… ou é a deficiência?” Como se eu fosse duas pessoas separadas, uma encaixada dentro da outra, e eles nunca soubessem qual das duas está no comando.

E eu fico ali, no meio desse malabarismo identitário, tentando provar que sou adulta. Não a adulta idealizada, perfeita, organizada, com planilhas e manual-de-instruções de maturidade. Mas a adulta que eu posso ser, a adulta possível. A que existe do meu jeito, com minhas possibilidades, meus limites, minhas conquistas, minhas teimosias e meu caos perfeitamente funcional. (pode não ser funcional para os outros, mas para mim é).

Costumo dizer, meio brincando, meio pedindo socorro, que só preciso que me deixem ser adulta do jeito que posso ser. Não é tão complicado assim. Ou talvez seja, para quem ainda insiste em me ver com a idade que eu já não tenho faz tempo.

No fim das contas, acho crescer é isso né: Não apenas aprender a lidar com o mundo, mas ensinar o mundo a lidar com a gente. E, convenhamos, esse trabalho dá muito mais trabalho do que deveria.

 

 

 

                                                                                                                      

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Como é, moça?

 Não sou de polemizar, muito menos de causar nenhum desconforto, mas entre o dia 27 e 29 de abril desse ano, enquanto participava do 3º Congresso Brasileiro Estudos sobre as Pessoas com Deficiência e Demandas Psicossociais (tinha participado só do 1º, em 2024), no formato online, algo me cutucou por dentro. Daqueles cutucões que fazem a gente levantar a sobrancelha e pensar: ué, será que só eu ouvi isso?

Estava lá, caderninho aberto, como sempre faço em cursos online, anotando impressões, frases soltas, ideias que me atravessam. No primeiro dia, ouvi a seguinte pérola: “Esqueçam aquela ideia de que deficiência é sinônimo de limitação”. Não pude interromper, como numa aula mesmo, mas pensei bem alto dentro de mim: Calma, moça… não existe limitação?  Eu convivo com as minhas diariamente. Até converso como elas de vez em quando. Aprendo com elas.

As limitações que me acompanham desde o instante que nasci, hoje percebo que não me limitam, me desafiam. Sei e se não sei aprendo que, se não consigo de um jeito, tento de outro. O que não pode e não deve é transformar limitação em sinônimo de incapacidade. Aí, sim, a gente tropeça no preconceito alheio.

Tenho uma deficiência, mas não é ela que me tem. Isso precisa ficar bem claro, por mais difícil que pareça e mesmo quando o mundo insiste em embaralhar as coisas.

O congresso foi ótimo, abordou temas importantes, dos quais gostei bastante, mas lá estava eu, fiel ao meu caderninho, anotando tudo o que fazia sentido, e o que não fazia também😉Afinal, convivo com minha deficiência desde pequenininha e ela é minha, não no sentido de posse, mas de intimidade. Pois existe uma complexidade em vivenciar a deficiência que que não cabe em slide, mesa-redonda ou discurso empolgado. Que mesmo cheio de gente ao nosso redor, muitas vezes travamos batalhas silenciosas: o sentimento de inadequação que aparece sem ser convidado, a luta diária pelo direito de existir e ocupar espaço, a insistência em não deixar que o mundo nos diminua. É um trabalho que, no fim das contas, fazemos muito mais conosco do que com qualquer outra pessoa. E isso é mais conosco mesmo.

E talvez seja por isso que aquela frase me intrigou tanto. Não porque estivesse errada, mas porque parecia ignorar que, antes de superações e discursos bonitos, existe vida real. E na vida real, limitação existe, sim. O que não existe é desistência.

E o resto do congresso? .... Ah, o resto, deixo para os próximos capítulos. Ou não...Sabe, foram três dias de congresso, mas o que realmente mexeu com minhas estruturas foi isso 😊

 

 

 

                                                                                              

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Deixar para trás e agradecer

Há coisas que, quando olho para trás, até agradeço. Coisas que a gente só entende quando olha pelo retrovisor da vida. E olha, no meu caso, esse retrovisor já meio embaçado, precisando de um limpa-vidros emocional. Mas funciona, na hora, parecem tragédias pessoais, injustiças cósmicas, puxões de tapete cuidadosamente coreografados pelo destino.

O que hoje chamaríamos de livramento (na minha época acho que não era esse nome não 😉), mas o efeito é o mesmo: a vida tira algo da sua frente como quem recolhe um copo prestes a cair da mesa. A gente reclama, claro. Dói, mas faz parte do show. Só depois a gente percebe que esse copo já estava trincado, e faz tempo.

Virar a página não é tão simples quanto parece. Não é como nos livros, onde você pode deixar um marcador de página e voltar quando quiser. E arrancar um capítulo inteiro dói, dói como tirar Band-Aid de pele sensível. Parece legal, poético, mas quem inventou essa metáfora do Band-Aid certamente nunca precisou arrancar nada que realmente importasse. Porque cada página que a gente arranca deixa uma cicatriz discreta, daquelas que só a gente sabe que existe, mas uma cicatriz que cicatriza com o tempo.

E vou confessar: eu, que sou bastante emotiva para algumas coisas, esquecer de certas coisas ou até mesmo de pessoas, não tem sido um processo fácil. Na verdade, quase nunca é, mas acho que chega um momento que temos que dar marcha ré para não doer mais ainda.

Doeu um pouco, mas preciso pensar que foi melhor assim, acho que se pensar de outra forma enlouqueço. Ainda assim, a gente segue. Meio mancando, meio teimando, mas segue.

E, no caminho, no meio desse processo, a gente descobre umas verdades incômodas. Por exemplo: aquela massagemzinha no ego quando alguém do passado dá sinais de vida. É doce, claro. Mas é doce tipo bala que a gente ganha na saída do consultório, inesperada, simpática, mas totalmente dispensável. A gente não precisa disso para seguir respirando, embora o ego insista em dizer que sim.

No fim das contas, virar a página talvez seja mesmo o melhor que pode acontecer. Não porque o passado era ruim, às vezes até era ótimo, mas porque a gente merece histórias novas. E porque, convenhamos, tem coisa que só faz sentido quando vista de longe, com a serenidade de quem já sobreviveu ao próprio caos.

"Livramento" é uma palavra bonita. Não só pelo som, mas pelo que carrega: a ideia de que a vida, às vezes, sabe mais do que nós. E que, de vez em quando, o maior favor que ela pode nos fazer é tirar da nossa mão aquilo que jurávamos ser essencial.

Agradecer vem depois. Sempre vem. É só questão de tempo.

E olha... enquanto escrevo isso, parece mais uma confissão, e talvez até seja... Sabe, escrever o que sinto tem disso uma espécie de purgação, como se jogasse tudo numa fogueira imaginária e assistisse queimar.

Claro que ainda tenho algumas inseguranças e tal, não sou tão bem resolvida quanto às vezes pareço ser, mas estou tentando e espero sinceramente estar conseguindo...até para o meu próprio bem😊

 

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Um tal documentário...

Que diabos é machosfera? Juro que essa palavra me bateu como um tapa de luva de pelica. É um bando de macho fazendo macheza, batendo no peito, se gabando aos quatro ventos? 😂Ri sozinha achando que era tipo pegar todos os héterotop, esquerdomacho, egos inflados e afins.... e colocar tudo no mesmo balaio só (ou numa esfera, tipo panelinha, bem fechada para mais ninguém entrar). Esses estereótipos de masculinidade tóxica.

Isso tudo porque, há um tempinho, assisti a um documentário chamado Luis Theroux: Por Dentro da Monosfera. Confesso que não me interessei muito de cara (talvez tenha sido o título ou o fato de ser documentário, que não costuma estar no meu repertório). Mas resolvi dar o benefício da dúvida.

A capa ou cartaz do documentário já te diz alguma coisa (pelo menos para mim), o cara fortão, musculoso, dando uma chave de braço nesse Louis...hum...curti não. Mas respira e vamos tentar olhar com olhos de estudante de psicologia, mesmo que meu outro olhar, o de simples mortal leiga, não tenha gostado nada do que viu.

O documentário mergulha em temas como red pill (sim, aquela do Matrix), papéis de gênero, masculinidade e outras coisas que para mim não fazem sentido nenhum. É como entrar em um universo paralelo onde um grupo discute “o que é ser homem” com a solenidade de quem está redigindo a Constituição do próprio ego.

E eu ali, assistindo, tentando entender, tentando não rir daqueles absurdos que estava ouvindo.

Sou muito a favor de podcasts, transmissões ao vivo, influenciadores, acho que até podem ser instrutivos e divertidos.... A questão é que acho que algumas pessoas têm exagerado um pouco na dose e passa ser uma espécie de coquetel meio tóxico, meio inflamável, sabe.

Aí, não pude deixar de pensar: esse universo conversa com o universo das deficiências? Pior que acho que sim. E não só conversa, às vezes grita, pode sair rebaixamento, xingamento e sei lá mais o que... Porque machosfera fere. Pode ferir mulher, gay, idoso, pessoas com deficiência e outras camadas. No documentário o foco parece se mais mulheres mesmo, mas deu para ver que o alcance poderia ser maior. E o mais assustador (mais sinceramente não me surpreendeu muito), que tem gente que não só aceita, mas compactua, reproduz, aplaude. E não é só homem não tá, mulheres, jovens...meu Deus do céu.

Saí do documentário com a sensação de que a tal machosfera não é uma esfera, mas um eco. Um eco que se repete, se amplifica e, quando encontra terreno fértil, vira crença. E eu, do lado de fora, sigo me perguntando se eles percebem que dá para ser homem sem tudo isso.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Psicologia das… necessidades especiais?

 No dia 17 de abril de 2026, aqui em Brasília mesmo, ouvi algo que me chamou muita atenção: psicologia das necessidades especiais. Achei tão engraçado. Não engraçado de deboche, mas de surpresa e curiosidade, pois nunca tinha ouvido falar em uma disciplina dessa, e olha que eu faço psicologia 😉

E fui pensar.... bater cabeça mesmo...pesquisar, pesquiso primeiro na minha cabeça, (como se fosse uma enciclopédia, mas é só achismo mesmo 😅) e depois na internet. E, cheguei à seguinte conclusão totalmente passível de estar errada, mas é minha, então vai assim mesmo: essa psicologia das necessidades especiais parece um pouco com ACP (Abordagem Centrada na Pessoa), que aliás todas as abordagens deveriam ser centrada na pessoa, mas aí já estou aloprando demais 😂

O fato é que, do que jeito que eu ouvi, as duas coisas pareciam se abraçar, se complementar, pelo menos na minha cabeça de estudante que ainda está tentando entender onde cada teoria se encaixa. Não sou uma profunda conhecedora de nenhuma abordagem da psicologia, até porque isso leva tempo e nem formada eu sou ainda, mas sinto que ambas tem esse perfume de humanismo, de olhar o sujeito para além do seu diagnóstico. E, futucando um pouco mais aqui e ali, as duas são compatíveis no sentido de defenderem o olhar para o ser humano em sua totalidade.

Sou impressionável para algumas coisas. Sou sensível e emotiva, dessas que se comovem com palavras, ideias e, às vezes, pessoas (mas esse segundo não quero falar agora, pode ser em outro capítulo talvez😉). O nome Psicologia das Necessidades Especiais me chamou particularmente a atenção porque, rebobinando a fita, lá em 1990, “necessidades especiais” era como se referiram a uma pessoa com deficiência, se usava portador de necessidades especiais (que bom que mudou, ufa!). Eu, por exemplo, hoje em dia o que eu porto no máximo um sorriso, quando estou de bom humor, no rosto e minha necessidade (essa sim, muito especial) é ser respeitada.

E aí, fiquei pensando: se isso era o nome de uma disciplina, que necessidade especiais seriam essas? Porque hoje só consigo pensar nas necessidades que qualquer pessoa possa ter, tendo uma deficiência ou não. Claro que, tendo uma circunstância diferenciada de uma pessoa sem deficiência, há algumas necessidades a mais que outras, mas, não sei se podemos classificar como especiais não, para mim são necessidades básicas.  

Talvez eu deva pesquisar mais, saber com exatidão o que é ou era, essa psicologia ai que ouvi e me deixou mais curiosa do que já sou 😉