Vivemos aprendendo coisas novas. Todo santo dia. Que excitante, não?! É como ganhar um presente que não pedimos, mas apareceu na porta. Esses dias ganhei um presente surpresa... Descobri mais uma coisa que, sinceramente não sei o que pensar.
Quando
chegou a descoberta da minha deficiência, fomos atrás do que pudemos e fizemos
o dava para fazer, correto? Isso foi lá entre 1985 (o ano que dei o ar dar
graça) até 19 e lá vai bolinha. Vejam...lá atrás eu até sabia que a deficiência
se chamava Paralisia Cerebral e, que existiam tipos. A minha carrega o tipo
atáxica, que achava que, dos tipos de PC (Paralisia Cerebral), ela fosse a mais
leve...entre as demais, claro.
E cresci
achando isso, até porque já me disseram que das PCs, a minha é a mais rara e,
eu acreditei (sou uma peça rara mesmo😉).
Existem
outros tipos de PC e, descobri numa quinta feira a tarde, que existem níveis
também... Como se videogame. Ou RPG. Ou plano de assinatura. E como a curiosidade
matou a gata (no meu caso leoa pois sou leonina 😄), lá fui eu pesquisar! Hoje
em dia com o Google e a IA é relativamente fácil achar coisa.
Primeiro
de tudo, descobri em um site: einstein, que Paralisia Cerebral é
conhecida por encefalopatia crônica não evolutiva. Olha...até faz
sentido se pensarmos, cerebelo, encéfalo, tudo ali no mesmo condomínio
neurológico.
Depois,
por conta de um grupo de WhatsApp que faço parte, alguém comentou sobre os tais
níveis (nenhum médico que já me consultei nunca ouvimos falar disso, minha mãe
e eu). Aí coloquei no Google: níveis de Paralisia Cerebral e, o Google, sempre
muito prestativo, me entregou um blog explicando os 5 Sistemas de Classificação
Funcional. Cinco. Não um, não dois. Cinco.
E foi ali, lendo aquilo, que descobri que muito provavelmente sou nível 2. Nível 2. E eu achando que “nível” era coisa de suporte para autistas. Mas não. Aparentemente, até dentro da PC existe uma espécie de escadinha funcional.
E eu aqui, quase quarenta anos depois, descobrindo que tenho um nível. Que vivi
a vida toda sem saber que tinha um número me acompanhando. Que talvez eu seja
mais rara do que imaginava, não só pela ataxia, mas por ter passado décadas sem
ninguém mencionar esse detalhe.
Já comentei em certa ocasião que, se chegasse a descobri uma causa ou
tivesse mais informações sobre minha condição, seria até legal, mas que nessas
alturas do campeonato não mudaria muita coisa na minha vida, só estaria mais informada
mesmo. Atualmente o que tenho gostado muito de fazer é combinar o que leio, e o
que aprendo com a realidade que vivo e tentar temperar tudo com uma pitada de...
humor? 😊