Em 2011, não me recordo o dia, escrevi um texto sobre um dos lugares que mais amo e, hoje, alguns anos depois, lendo o que já tinha escrito, resolvi fazer uma espécie de continuação talvez? 😂Vamos ver o que sai?
Não é só uma cidade. Não é só um ponto no mapa, nem apenas o lugar onde meus avós gostavam de ir e atualmente onde meu vô morava antes de falecer. Gramado, para mim, é outra coisa, maior, mais profunda, fazia parte da minha própria história. Sim, é turística. Sim, tem quem ache brega, exagerada, cenográfica demais. Mas eu não ligo. Ali, eu me sinto bem. Me sinto feliz. Ouso dizer que se tornou um dos meus lugares favoritos no mundo.
Claro que
a felicidade não depende de CEP. A tristeza também viaja. Mas essa não é a
questão. Nos próximos parágrafos, explico por que Gramado nunca foi apenas uma
cidade no Rio Grande do Sul.
Uma das
pautas que mais me mobiliza hoje é a acessibilidade, talvez porque eu more em
Brasília, talvez porque viver com uma limitação física te obriga a enxergar o
mundo por ângulos que muita gente ignora. Não é que só Brasília tenha
problemas, longe disso. Mas quando você vive em um corpo que precisa de atenção
extra para se equilibrar, qualquer desnível vira um obstáculo, qualquer calçada
irregular vira um convite ao medo. E, por isso, quando encontro um lugar onde
posso simplesmente ir e vir, sem tanto receio, aquilo se torna precioso.
E é aí que
Gramado entra.
É uma das
poucas cidades onde não tenho tanto medo de caminhar sozinha. Onde meu
desequilíbrio, esse velho companheiro, parece menos ameaçador. Onde posso
existir com mais autonomia, mais liberdade, mais leveza. E isso, para mim, vale
ouro. Claro que depende do lugar onde você se instala e isso é em todo lugar,
não só Gramado.
Mas antes
de falar das ruas, preciso falar da magia.
Nos
conhecemos há anos, tantos que já perdi a conta. O caminho até lá sempre me
deixa animada, como se eu estivesse prestes a reencontrar uma parte de mim
mesma. A arquitetura charmosa, inspirada nas no estilo bávaro e alemão, me transporta
para filmes que assisto na Netflix ou outras plataformas. Gramado parece saída
de um sonho: casas que parecem cartões-postais, paisagens que parecem cenários,
ruas que parecem abraços.
E tem as
festividades, claro. Ah, as festividades.
O Natal
Luz, por exemplo, começou um ano depois de eu nascer, como se a cidade tivesse
se preparado para receber uma pequena apaixonada por Natal. A Páscoa com o
Chocofest, que faz qualquer chocólatra (eu!) perder o rumo. Os cafés coloniais,
os fondues, as fábricas de chocolate, o Ateliê do Café, que, para minha
tristeza, fechou. Cada data comemorativa vira espetáculo, e eu, que adoro
brilho, cor e criatividade, nado de braçada.
Mas
Gramado é mais do que isso.
É uma
cidade arrumadinha, limpa, organizada. E, para mim, o mais importante:
acessível. Não perfeita, claro, mas muito mais acolhedora para quem precisa de
segurança para caminhar. Ali, posso fazer coisas sozinha sem tanto medo de
cair, sem tantos olhares julgadores, sem tantas barreiras físicas. Autonomia e
liberdade são essenciais para mim, e cada vez mais tem sido, e Gramado me
devolve as duas.
E tem
outra coisa: Gramado me lembra minha avó.
Ela
adorava ir lá. Era nosso lugar. Quando passávamos pelo pórtico e eu via as
hortênsias, já sabia que a alegria estava garantida. Cresci indo para lá, e
cada visita é como abrir uma caixinha de memórias: infância, risadas,
descobertas. Hoje, adulta, com responsabilidades e limitações, ainda encontro
ali um pedaço daquela menina que corria livre, mesmo sem tanto equilíbrio.
Quando
penso em viajar, preciso considerar coisas que muita gente nem imagina:
segurança, equilíbrio, custos emocionais. Viajar sozinha ainda é algo delicado.
Mas Gramado… ah, Gramado sempre parece valer o esforço.
Não é só
uma cidade charmosa. É um lugar que me devolve algo que, às vezes, o mundo
tenta tirar: a sensação de que posso ir, vir, existir e aproveitar, no meu
ritmo, no meu jeito, com minhas limitações e minhas conquistas.
Gramado é
meu passado, meu presente e, tomara, meu futuro. Um dos meus lugares favoritos
no mundo. Um pedaço de mim.
Preciso
dizer que não é apenas Gramado que me conquista; há outros lugares que também
me encantam 😊. A acessibilidade pode
ser um pouco menor em alguns deles, mas, como mencionei antes, essa questão
está presente em todo lugar.
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