sexta-feira, 24 de abril de 2026

Deixar para trás e agradecer

Há coisas que, quando olho para trás, até agradeço. Coisas que a gente só entende quando olha pelo retrovisor da vida. E olha, no meu caso, esse retrovisor já meio embaçado, precisando de um limpa-vidros emocional. Mas funciona, na hora, parecem tragédias pessoais, injustiças cósmicas, puxões de tapete cuidadosamente coreografados pelo destino.

O que hoje chamaríamos de livramento (na minha época acho que não era esse nome não 😉), mas o efeito é o mesmo: a vida tira algo da sua frente como quem recolhe um copo prestes a cair da mesa. A gente reclama, claro. Dói, mas faz parte do show. Só depois a gente percebe que esse copo já estava trincado, e faz tempo.

Virar a página não é tão simples quanto parece. Não é como nos livros, onde você pode deixar um marcador de página e voltar quando quiser. E arrancar um capítulo inteiro dói, dói como tirar Band-Aid de pele sensível. Parece legal, poético, mas quem inventou essa metáfora do Band-Aid certamente nunca precisou arrancar nada que realmente importasse. Porque cada página que a gente arranca deixa uma cicatriz discreta, daquelas que só a gente sabe que existe, mas uma cicatriz que cicatriza com o tempo.

E vou confessar: eu, que sou bastante emotiva para algumas coisas, esquecer de certas coisas ou até mesmo de pessoas, não tem sido um processo fácil. Na verdade, quase nunca é, mas acho que chega um momento que temos que dar marcha ré para não doer mais ainda.

Doeu um pouco, mas preciso pensar que foi melhor assim, acho que se pensar de outra forma enlouqueço. Ainda assim, a gente segue. Meio mancando, meio teimando, mas segue.

E, no caminho, no meio desse processo, a gente descobre umas verdades incômodas. Por exemplo: aquela massagemzinha no ego quando alguém do passado dá sinais de vida. É doce, claro. Mas é doce tipo bala que a gente ganha na saída do consultório, inesperada, simpática, mas totalmente dispensável. A gente não precisa disso para seguir respirando, embora o ego insista em dizer que sim.

No fim das contas, virar a página talvez seja mesmo o melhor que pode acontecer. Não porque o passado era ruim, às vezes até era ótimo, mas porque a gente merece histórias novas. E porque, convenhamos, tem coisa que só faz sentido quando vista de longe, com a serenidade de quem já sobreviveu ao próprio caos.

"Livramento" é uma palavra bonita. Não só pelo som, mas pelo que carrega: a ideia de que a vida, às vezes, sabe mais do que nós. E que, de vez em quando, o maior favor que ela pode nos fazer é tirar da nossa mão aquilo que jurávamos ser essencial.

Agradecer vem depois. Sempre vem. É só questão de tempo.

E olha... enquanto escrevo isso, parece mais uma confissão, e talvez até seja... Sabe, escrever o que sinto tem disso uma espécie de purgação, como se jogasse tudo numa fogueira imaginária e assistisse queimar.

Claro que ainda tenho algumas inseguranças e tal, não sou tão bem resolvida quanto às vezes pareço ser, mas estou tentando e espero sinceramente estar conseguindo...até para o meu próprio bem😊

 

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Um tal documentário...

Que diabos é machosfera? Juro que essa palavra me bateu como um tapa de luva de pelica. É um bando de macho fazendo macheza, batendo no peito, se gabando aos quatro ventos? 😂Ri sozinha achando que era tipo pegar todos os héterotop, esquerdomacho, egos inflados e afins.... e colocar tudo no mesmo balaio só (ou numa esfera, tipo panelinha, bem fechada para mais ninguém entrar). Esses estereótipos de masculinidade tóxica.

Isso tudo porque, há um tempinho, assisti a um documentário chamado Luis Theroux: Por Dentro da Monosfera. Confesso que não me interessei muito de cara (talvez tenha sido o título ou o fato de ser documentário, que não costuma estar no meu repertório). Mas resolvi dar o benefício da dúvida.

A capa ou cartaz do documentário já te diz alguma coisa (pelo menos para mim), o cara fortão, musculoso, dando uma chave de braço nesse Louis...hum...curti não. Mas respira e vamos tentar olhar com olhos de estudante de psicologia, mesmo que meu outro olhar, o de simples mortal leiga, não tenha gostado nada do que viu.

O documentário mergulha em temas como red pill (sim, aquela do Matrix), papéis de gênero, masculinidade e outras coisas que para mim não fazem sentido nenhum. É como entrar em um universo paralelo onde um grupo discute “o que é ser homem” com a solenidade de quem está redigindo a Constituição do próprio ego.

E eu ali, assistindo, tentando entender, tentando não rir daqueles absurdos que estava ouvindo.

Sou muito a favor de podcasts, transmissões ao vivo, influenciadores, acho que até podem ser instrutivos e divertidos.... A questão é que acho que algumas pessoas têm exagerado um pouco na dose e passa ser uma espécie de coquetel meio tóxico, meio inflamável, sabe.

Aí, não pude deixar de pensar: esse universo conversa com o universo das deficiências? Pior que acho que sim. E não só conversa, às vezes grita, pode sair rebaixamento, xingamento e sei lá mais o que... Porque machosfera fere. Pode ferir mulher, gay, idoso, pessoas com deficiência e outras camadas. No documentário o foco parece se mais mulheres mesmo, mas deu para ver que o alcance poderia ser maior. E o mais assustador (mais sinceramente não me surpreendeu muito), que tem gente que não só aceita, mas compactua, reproduz, aplaude. E não é só homem não tá, mulheres, jovens...meu Deus do céu.

Saí do documentário com a sensação de que a tal machosfera não é uma esfera, mas um eco. Um eco que se repete, se amplifica e, quando encontra terreno fértil, vira crença. E eu, do lado de fora, sigo me perguntando se eles percebem que dá para ser homem sem tudo isso.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Psicologia das… necessidades especiais?

 No dia 17 de abril de 2026, aqui em Brasília mesmo, ouvi algo que me chamou muita atenção: psicologia das necessidades especiais. Achei tão engraçado. Não engraçado de deboche, mas de surpresa e curiosidade, pois nunca tinha ouvido falar em uma disciplina dessa, e olha que eu faço psicologia 😉

E fui pensar.... bater cabeça mesmo...pesquisar, pesquiso primeiro na minha cabeça, (como se fosse uma enciclopédia, mas é só achismo mesmo 😅) e depois na internet. E, cheguei à seguinte conclusão totalmente passível de estar errada, mas é minha, então vai assim mesmo: essa psicologia das necessidades especiais parece um pouco com ACP (Abordagem Centrada na Pessoa), que aliás todas as abordagens deveriam ser centrada na pessoa, mas aí já estou aloprando demais 😂

O fato é que, do que jeito que eu ouvi, as duas coisas pareciam se abraçar, se complementar, pelo menos na minha cabeça de estudante que ainda está tentando entender onde cada teoria se encaixa. Não sou uma profunda conhecedora de nenhuma abordagem da psicologia, até porque isso leva tempo e nem formada eu sou ainda, mas sinto que ambas tem esse perfume de humanismo, de olhar o sujeito para além do seu diagnóstico. E, futucando um pouco mais aqui e ali, as duas são compatíveis no sentido de defenderem o olhar para o ser humano em sua totalidade.

Sou impressionável para algumas coisas. Sou sensível e emotiva, dessas que se comovem com palavras, ideias e, às vezes, pessoas (mas esse segundo não quero falar agora, pode ser em outro capítulo talvez😉). O nome Psicologia das Necessidades Especiais me chamou particularmente a atenção porque, rebobinando a fita, lá em 1990, “necessidades especiais” era como se referiram a uma pessoa com deficiência, se usava portador de necessidades especiais (que bom que mudou, ufa!). Eu, por exemplo, hoje em dia o que eu porto no máximo um sorriso, quando estou de bom humor, no rosto e minha necessidade (essa sim, muito especial) é ser respeitada.

E aí, fiquei pensando: se isso era o nome de uma disciplina, que necessidade especiais seriam essas? Porque hoje só consigo pensar nas necessidades que qualquer pessoa possa ter, tendo uma deficiência ou não. Claro que, tendo uma circunstância diferenciada de uma pessoa sem deficiência, há algumas necessidades a mais que outras, mas, não sei se podemos classificar como especiais não, para mim são necessidades básicas.  

Talvez eu deva pesquisar mais, saber com exatidão o que é ou era, essa psicologia ai que ouvi e me deixou mais curiosa do que já sou 😉