quinta-feira, 23 de abril de 2026

Um tal documentário...

Que diabos é machosfera? Juro que essa palavra me bateu como um tapa de luva de pelica. É um bando de macho fazendo macheza, batendo no peito, se gabando aos quatro ventos? 😂Ri sozinha achando que era tipo pegar todos os héterotop, esquerdomacho, egos inflados e afins.... e colocar tudo no mesmo balaio só (ou numa esfera, tipo panelinha, bem fechada para mais ninguém entrar). Esses estereótipos de masculinidade tóxica.

Isso tudo porque, há um tempinho, assisti a um documentário chamado Luis Theroux: Por Dentro da Monosfera. Confesso que não me interessei muito de cara (talvez tenha sido o título ou o fato de ser documentário, que não costuma estar no meu repertório). Mas resolvi dar o benefício da dúvida.

A capa ou cartaz do documentário já te diz alguma coisa (pelo menos para mim), o cara fortão, musculoso, dando uma chave de braço nesse Louis...hum...curti não. Mas respira e vamos tentar olhar com olhos de estudante de psicologia, mesmo que meu outro olhar, o de simples mortal leiga, não tenha gostado nada do que viu.

O documentário mergulha em temas como red pill (sim, aquela do Matrix), papéis de gênero, masculinidade e outras coisas que para mim não fazem sentido nenhum. É como entrar em um universo paralelo onde um grupo discute “o que é ser homem” com a solenidade de quem está redigindo a Constituição do próprio ego.

E eu ali, assistindo, tentando entender, tentando não rir daqueles absurdos que estava ouvindo.

Sou muito a favor de podcasts, transmissões ao vivo, influenciadores, acho que até podem ser instrutivos e divertidos.... A questão é que acho que algumas pessoas têm exagerado um pouco na dose e passa ser uma espécie de coquetel meio tóxico, meio inflamável, sabe.

Aí, não pude deixar de pensar: esse universo conversa com o universo das deficiências? Pior que acho que sim. E não só conversa, às vezes grita, pode sair rebaixamento, xingamento e sei lá mais o que... Porque machosfera fere. Pode ferir mulher, gay, idoso, pessoas com deficiência e outras camadas. No documentário o foco parece se mais mulheres mesmo, mas deu para ver que o alcance poderia ser maior. E o mais assustador (mais sinceramente não me surpreendeu muito), que tem gente que não só aceita, mas compactua, reproduz, aplaude. E não é só homem não tá, mulheres, jovens...meu Deus do céu.

Saí do documentário com a sensação de que a tal machosfera não é uma esfera, mas um eco. Um eco que se repete, se amplifica e, quando encontra terreno fértil, vira crença. E eu, do lado de fora, sigo me perguntando se eles percebem que dá para ser homem sem tudo isso.

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