Que diabos é machosfera? Juro que essa palavra me bateu como um tapa de luva de pelica. É um bando de macho fazendo macheza, batendo no peito, se gabando aos quatro ventos? 😂Ri sozinha achando que era tipo pegar todos os héterotop, esquerdomacho, egos inflados e afins.... e colocar tudo no mesmo balaio só (ou numa esfera, tipo panelinha, bem fechada para mais ninguém entrar). Esses estereótipos de masculinidade tóxica.
Isso tudo porque, há um tempinho, assisti a um documentário
chamado Luis Theroux: Por Dentro da Monosfera. Confesso que não me
interessei muito de cara (talvez tenha sido o título ou o fato de ser
documentário, que não costuma estar no meu repertório). Mas resolvi dar o
benefício da dúvida.
A capa ou cartaz do documentário já te diz alguma coisa
(pelo menos para mim), o cara fortão, musculoso, dando uma chave de braço nesse
Louis...hum...curti não. Mas respira e vamos tentar olhar com olhos de
estudante de psicologia, mesmo que meu outro olhar, o de simples mortal leiga,
não tenha gostado nada do que viu.
O documentário mergulha em temas como red pill (sim,
aquela do Matrix), papéis de gênero, masculinidade e outras coisas que para
mim não fazem sentido nenhum. É como entrar em um universo paralelo onde um
grupo discute “o que é ser homem” com a solenidade de quem está redigindo a Constituição
do próprio ego.
E eu ali, assistindo, tentando entender, tentando não rir
daqueles absurdos que estava ouvindo.
Sou muito a favor de podcasts, transmissões ao vivo,
influenciadores, acho que até podem ser instrutivos e divertidos.... A questão
é que acho que algumas pessoas têm exagerado um pouco na dose e passa ser uma
espécie de coquetel meio tóxico, meio inflamável, sabe.
Aí, não pude deixar de pensar: esse universo conversa com o
universo das deficiências? Pior que acho que sim. E não só conversa, às vezes
grita, pode sair rebaixamento, xingamento e sei lá mais o que... Porque machosfera
fere. Pode ferir mulher, gay, idoso, pessoas com deficiência e outras camadas. No
documentário o foco parece se mais mulheres mesmo, mas deu para ver que o alcance
poderia ser maior. E o mais assustador (mais sinceramente não me surpreendeu
muito), que tem gente que não só aceita, mas compactua, reproduz, aplaude. E
não é só homem não tá, mulheres, jovens...meu Deus do céu.
Saí do documentário com a sensação de que a
tal machosfera não é uma esfera, mas um eco. Um eco que se repete, se amplifica
e, quando encontra terreno fértil, vira crença. E eu, do lado de fora, sigo me
perguntando se eles percebem que dá para ser homem sem tudo isso.
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