Dia 3 de janeiro fez um mês que defendi minha monografia e,
uma frase em particular chamou minha atenção, claro que adorei escrever cada
pedacinho desse trabalho que fazia tempos queria escrever, mas algo em
particular cativou meus pensamentos e resolvi, em cima disso, escrever algo
sobre...
“Vive-se com a deficiência, não para a deficiência”. Essa
frase foi de uma das participantes da monografia realizada no semestre passado.
Acredito que ela não veio exatamente assim, é claro que passado por algumas
transformações e elucubrações sobre o assunto é que essa frase acabou fazendo
sentido na cabeça de quem vive com alguma deficiência. No caso em questão, essa
participante se tornou uma pessoa com deficiência em decorrência de uma doença
progressiva já descoberta depois de maiorzinha. E, mesmo vindo de trajetórias
tão diferentes, essa frase encontrou um lugar dentro de mim.
Aprende-se a viver com a deficiência? Talvez. Mas não é um
aprendizado romântico, organizado e gentil. Na marra talvez, no cotidiano,
tropeçando nos próprios limites e nos limites que o mundo impõe, vivenciando
seus obstáculos, encarando pessoas que muitas vezes podem te encarar de uma
maneira não muito legal…. A questão é, não existe manual, é algo que acontece
ou aconteceu ou pode vir a acontecer (esperamos que não, mas não temos controle
dessas coisas).
Mas por que falar disso agora? Olha… Porque já faz tempo que
sinto vontade de escrever sobre a realidade em que vivo. E, quanto mais conheço
histórias parecidas com a minha, mais essa vontade cresce. Existe algo poderoso
em perceber que não estamos sozinhos, mesmo quando nossas experiências são
únicas.
Sabemos ou algumas pessoas sabem 🤣, que vivemos em uma sociedade capacitista, que julga rápido demais e entende pouco demais. Isso sempre me incomodou. Hoje incomoda de outro jeito, talvez mais silencioso, talvez mais consciente, mas incomoda. E eu me pego pensando por que ser como somos pode causar desconforto em algumas pessoas? Porque a diferença, quando aparece no corpo, vira motivo de estranhamento? Porque a existência de alguém que foge do “padrão” ainda é vista como algo que precisa ser explicado, justificado ou tolerado?
Talvez escrever sobre isso seja uma forma de devolver o
olhar. De mostrar que a deficiência não é um problema a ser resolvido, mas uma
realidade a ser vivida, com suas complexidade, com cansaço, com humor, com
força, com humanidade.
É como se cada
dia fosse um exercício de adaptação, não só ao ambiente ao nosso redor, mas
também às nossas próprias emoções e expectativas. O processo de aceitar e
conviver com a deficiência exige uma força que muitas vezes nem sabíamos que
tínhamos. Ao mesmo tempo, nos ensina sobre empatia, resiliência e sobre o valor
de enxergar o outro além das aparências.
Excelente reflexão!
ResponderExcluirAcho que do ponto de vista científico há uma tendência a se tentar compreender as diferentes condições humanas que fogem do comum. Às excepcionais, digamos assim.
Um blog como o seu, de divulgar e comunicar como é o teu ponto de vista é um trabalho fantástico em um país como o nosso em que, do meu ponto de vista, estamos dando os passos inicias ainda - infelizmente - no que se trata a inclusão social seja de PCDs, neurodivergentes e até mesmo de um recorte étnico social marginalizado.
Há muito o que avançar! É difícil, mas a vanguarda é assim, quem vem na frente abre caminho para quem está vindo aí. Não é fácil, não é romântico, mas é sim um trabalho social e muito nobre.
Beijão!
Que comentário ótimo Daniel!
ExcluirÀs vezes acho que, mesmo dando passos de formiguinha, consigo alcançar algumas pessoas com o que escrevo, assim espero, pelo menos kkk
O mundo pode ser um lugar tão bonito mas ao mesmo tempo tão feio, com pessoas às vezes com mentalidade tão pequena que preciso escrever para não enlouquecer, digamos assim kkk