sexta-feira, 10 de abril de 2026

Palavras em minha vida – quase uma sopa de letrinhas

As palavras nem sempre foram minha amigas íntimas, mas sempre estiveram por lá, como em uma prateleira de loja, para que pudesse escolher e pegar quando eu estivesse pronta. Mas aí é que está: quando ficamos prontos? (Como se alguém algum dia ficasse pronta para qualquer coisa, a vida não tem manual não).

Já tive fase de papel de cartas, moedas, canetas de quase todas as cores (estas ainda me seduzem, confesso😉), outras coisas que nem lembro mais. Mas palavras nunca foram fase, sempre estiveram presentes, constantes e teimosas. Tipo sopa de letrinhas.

Sabe aquela música, “Palavras ao Vento”, da Cássia Eller? Então, só que nesse caso a música da senhorita Cássia me parece mais romântica, tanto que já foi até tema de casais de novela e as minhas palavras estão mais para “fazer barulho” ... não sei, nunca foram tão glamurosas ou cinematográficas assim, acho 😊 Se fossem personagem de novela, seriam figurantes que passam ao fundo carregando caixas, tropeçam e ainda derrubam o cenário. E tudo bem. Acho até simpático.

O curioso é que as palavras me encontram de um jeito único, muito particular, digamos. Às vezes chegam inteiras, prontas para uso, como se tivesse passado a manhã toda ensaiando para aparecer. Outras vezes vêm pela metade, tímidas, como se tivessem esquecido o próprio nome. E quando isso acontece, eu invento. Não invento do nada, não sou tão ousada assim. Invento a partir do que lembro, do que sinto, do que quase sei. É como se ao invés de procurar uma agulha, procurar uma palavra no palheiro.

Acredito que da família seja a única com a relação complicada com as palavras. Nunca fui muito fã de leitura, embora tenha alguns livros que vez ou outra me agradavam ler (sim, de vez em quando eu leio 😉). Chega a ser meio irônico gostar de escrever sendo que a leitura nem sempre me é aprazível, mas é assim e nem sempre consigo entender bem o porquê.

Dizem que para quem gosta de escrever tem que ter o hábito da leitura. Eu não tenho, mas isso não me impediu que continuar escrevendo. Todos os dias me deparo com a aparente dificuldade que tenho nesse aspecto da minha vida, especialmente quando me sento para escrever algo, mas as palavras que saem de mim, da minha cabeça (que mais parece um gaveteiro ambulante às vezes), me encontram de um jeito muito particular.

Como diz na página inicial do meu blog: Meu portal de desabafos, superações (não exemplo de superação não ta, não gosto que se refiram a mim desse jeito), histórias e desmistificações. Uma espécie de diário virtual às vezes, a cada obstáculo que ultrapasso é mais um dia em que sei que vou conseguir superar minhas dificuldades. (superar as dificuldades causadas pela deficiência, como consequência, não é superar deficiência...presta atenção galera!0)

No fundo, acho que as palavras sempre souberam que eu voltaria para buscá‑las. Mesmo quando eu fingia que não precisava delas.

Elas me esperam. Eu demoro. E, no fim, a gente sempre se encontra, do nosso jeito meio desajeitado, meio poético, meio irônico às vezes, mas, para mim, sempre divertido.

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