Ficar fora da faculdade esse semestre foi como abrir uma janela que eu nem lembrava que existia. De repente, entrou um vento novo, desses que bagunçam o cabelo e, de quebra, o apetite. Não o apetite por comida (esse sempre esteve bem servido), mas o de escrever. Escrever mais, escrever sempre, escrever como quem respira. A verdade é que eu nunca parei, mas agora parece que as palavras voltaram a me cutucar com mais insistência.
E, já que a vida me deu esse intervalo, meio forçado, resolvi
preencher e fazer alguns, poucos, cursos que me interessam, para alimentar minha
cabeça. Dentre eles, um curso de
educação anticapacitista, que começou dia 30 do mês passado e vai até o dia 12.
Logo de cara, me jogaram um conceito novo: DEF. Ainda não sei exatamente
o que pensar a respeito. Talvez precise mastigar mais um pouco, deixar
decantar.
Mas vamos por parte né.... Voltar um pouco a fita... Curso online,
nada de professor chamando pelo nome, nada de levantar a mão. Só eu, a tela e
meu caderninho fiel, aquele que já ouviu mais pensamentos meus do que muita
gente por aí. Fui anotando tudo que me cutucava, tudo que parecia ter potencial
para virar texto, porque algumas ideias são assim: chegam tímidas, mas se a
gente não anota, elas fogem pela janela.
Logo na primeira aula, a indagação começou... veio a pergunta
que ficou martelando: será que todos conhecemos mesmo o termo capacitismo?
E educação anticapacitista? A questão é que acho que se fala de capacitismo,
essa palavra circula, aparece em debates, em posts, em discursos, mas nem todo
muito sabe o que bicho é esse. Tem gente que acha que é MIMIMI....como se nomear
uma opressão fosse capricho e não uma necessidade.
E no meio disso tudo, fiquei pensando em mim. No quanto
escuto, dentro de mim mesma: sou capaz...E sou mesmo! Claro que nem tudo vai dar
para fazer, até porque ninguém é capaz de tudo, mas aprendi e ainda estou
aprendendo, que posso fazer muita coisa quando tento, do meu jeito, no meu
ritmo, com as ferramentas que tenho.
Depois é que veio esse conceito até para mim, novo: DEF. Pesei,
o que é isso?: Claro, fui pesquisar: parece que é usando em contextos culturais
e políticos como abreviatura para deficiência. Ok, confesso que, por mais interessante a
proposta, achei meio estranho, mas vou dar uma chance 😉
Nunca nem tinha ouvido (não é porque tenho uma deficiência que sou “obrigada” a
saber tudo da realidade que me cerca. Talvez até devesse, acho, mas não é assim
que funciona.
Depois.... o que veio? Um tal de letramento
anticapacitista. Ai meu deus, o que é isso? Bom, capacitismo vem de dúvida
da capacidade né. Então, anticapacitista é o contrário? Algo assim. Mas aí
percebi que não é só isso. Atualmente, depois de muito digerir algumas coisas e
adquirir, modéstia a parte, alguns conhecimentos, percebemos que alguns “elogios”
acabam por não serem exatamente “elogios” e sim ataques capacitistas sutis, disfarçados,
tipo: você é bem bonita, mas tem uma deficiência ou você até que é inteligente,
mas.... (já me incomodei muito com esses comentários, mas ... K
O mundo evoluiu (em partes) e, precisamos evoluir com ele
né? Claro que leva um tempinho para nos adaptar, nos familiarizar e estarmos
abertos a novos conhecimentos, aprender a nomear, etc. Compreender que somos
mais do que a deficiência...
Na verdade, no fundo, acho que tudo ou quase tudo é mais
sobre como falamos as coisas do que o que falamos. Claro que não dá para sair
falando por aí tudo que quer...embora às vezes dê vontade (para algumas pessoas
também 😊),
dá um alívio enorme.
E você, qual a sua relação com o capacitismo? Porque, se eu pudesse resumir em uma palavra, a
palavra de ordem seria DESCONSTRUÇÃO... Algumas pessoas precisam, na minha
opinião, desconstruir alguns discursos capacitistas que ainda são cometidos sem
intenção...algumas vezes 😉. Outras precisam desconstruir a si mesmas. E
eu, bom… sigo desconstruindo e reconstruindo, como quem ajeita uma casa
enquanto mora nela.
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