sábado, 20 de junho de 2020

Terapia emocional...beijos e abraços e afins :)

Abraços, beijos, carinhos. De amigos, namorados, colegas, família...muitas coisas cabem em um abraço. Pode ser com ou sem beijos (com é melhor haha), apertado, saudoso, carinhoso...hum...
Claro que nem todos se sentem confortáveis com essa demonstração de afeto, seja público ou privado. E está tudo bem, obviamente ninguém é obrigado (a) a se juntar ao, que para mim é, uma celebração. Mas, a aversão (se é que podemos chamar assim), a isso pode ser cultural e social. Não julgo, claro, quem, por alguma razão, não curta essas demonstrações mas, confesso que, por ser diferente do modo como vivo e o fato de gostar de abraçar e beijar pessoas queridas, sinto até uma certa necessidade, me causa um certo estranhamento mas, respeito quem não pensa assim, é óbvio. Só acho que, seria bom chegar e falar abertamente sobre isso, se houver intimidade para tal. Mas também não condeno quem não dê conta disso.
"O primeiro gesto humano é o abraço"... E, nessa atual situação, na qual se torna necessário um isolamento social, pode ser sentida a falta de contato humano, de sair com amigos (ou sozinho), abraçar pessoas que estão longe (ou perto, porque não). Nem preciso dizer que o abraço é terapêutico né?  Nem precisa dizer nada se não quiser, só abraçar, gestos de carinhos normalmente são bem aceitos, mesmo sem palavras. Também é público e notório, pelo menos acho que é haha, que damos mais valor depois que perdemos....no caso, temporariamente, por conta da pandemia.
No filme Frozen, 2013, o personagem Olaf se apresenta dizendo gostar de "abraços quentinhos", isso muito que me represente, afinal, adoro abraços né :);
No filme A Cinco Passos de Você, 2019, relata-se a importância do toque, na frase dita por um de seus personagens: "precisamos ser tocados por quem amamos quase tanto quanto precisamos do ar que respiramos", claro que é um caso de romance mas, quem disse que quem amamos tem que ser só por quem estamos apaixonados? Amamos amigos, colegas, irmãos, pais, tios, avós...tanta gente...e olha, no meu caso amo mesmo hein hahaha;
Músicas como a que Jota Quest fala que "o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço". De uma pessoa querida é com certeza;
Na televisão, a apresentadora Astrid comanda um programa chamado "chegadas e partidas", que é basicamente sobre reencontros e, adivinha....mais abraços :)
E também existem músicas, textos, poemas, coisas diversas, todas falando da importância do afeto e como repercute nos seres humanos. A falta de afeto pode e, diante do cenário atual da pandemia, tem afetado as relações humanas por não poderem se ver, ta pessoalmente vai pois entre outras coisas, os meios de comunicação estão aí para isso também. Aí já dá para matar um pouquinho da saudade né :)
Isso tudo para falar que, como vocês já devem ter imaginado 🤣, abraços, beijos, afetos e afins são importantes para nós e, para mim, quem me conhece sabe que claro e evidente para mim é, espero que esse período acabe logo porque já está cansativo...sei que é sério mas já cansou.
"Beijos, abraços e carinhos sem ter fim"😊

quarta-feira, 29 de abril de 2020

gangue do deboche

Relutei.. para escrever isso. Demorei para superar.. para esquecer.
Achei que nunca mais fosse vê-lo até o dia em que, nunca mais havia pensado nele e nem naquela época, o vi, sentado, em o que acredito fosse seu horário de almoço. Fiquei sem reação. Como que depois de tanto anos, um só momento, minutos que fosse, pudesse me trazer lembranças que às vezes gostaria de ter esquecido?
Já se passaram alguns anos que esse encontro inesperado aconteceu mas, aquele dia me marcou tanto, no sentido que, ao voltar a mim, comecei a escrever o que, não sabia como, mas gostaria de ter dito a ele na ocasião. E, fui para casa e escrevi. Só não tive coragem de expor aqui nesse espaço...bobagem né, mas na hora que terminei de escrever me pareceu que não valeria a pena mostrar para ninguém. Enfim, hoje, tomei coragem e decidi colocar para fora hahaha. Escrever me faz bem, quando não consigo me expressar falando, tento a escrita, acho uma boa saída...é terapêutico.

Não sei se devo agradecer ou não. Parando agora para pensar, parte de mim acho que devo a você. Na época não sabia, mas me fortalecia a cada desprezo seu. Fui muito magoada nos tempos da escola. Éramos jovens, crianças, e achava que sabia o que era gostar de alguém e, meu erro, talvez tenha sido gostar muito de você e por isso me machuquei muito.
Nunca te odiei. Não entendia bem por que fazia o que fazia, por que além de não gostar de mim tinha que me humilhar na frente dos outros. E, não satisfeito, era o líder da "gangue do deboche", que por algumas vezes me detonava na sala de aula.
Ei, olha eu aqui, lembra de mim! Sou aquela garota que estudou com você. Aquela mesma que você e tantos outros zombavam.
Gostaria de te dizer que consegui, ou estou conseguindo o que, um dia me disseram que não conseguiria. E ainda digo mais, conseguirei mais coisa.
Houve um tempo em que eu acreditei em você e no seu "esquadrão do deboche". Mas vocês estavam enganados a meu respeito. Ainda tenho aquele andar engraçado que vocês falavam, acho que ainda muita gente deve falar dele mas, quer saber, não vou mais deixar quem quer que seja, gostando da pessoa ou não, me limitar. Já passei por poucas e boas por aí. Superei você, seu esquadrão e tantos outros por aí. Já me deram nomes que não gostei...já deu né.
Algumas vezes já pensei que um dia encontraria pessoas que zombaram de mim no passado e falaria: olha como estou agora, diferente de quem vocês conheceram né? O que vocês pensam de mim agora?...Quer saber, não importa....tchauzinho!
Pensar assim me deixava feliz, queria que me vissem, o que conquistei, que não era mais aquela menina esquisita da escola, cheia de rótulos e não sei mais o que que falavam de mim. Mas, não vejo muita razão em pensar nisso, acho mesquinho até. Cutucar a ferida sabe. 
Vamos nos ver de novo e, provavelmente, não vai se lembrar do que me fez mas, embora não esqueça do que aconteceu, te perdoo. Sei que, assim como você, muitas pessoas se enganarão a meu respeito, posso ter que enfrentar algumas coisas que não sejam muito agradáveis, como naquele tempo mas, não tenho como prever nada e nem exigir que se comportem como eu gostaria. Isso é com elas né!
Hoje, depois de muitos anos, vejo assim: irônico, quem me prejudicou, indiretamente tenha me ajudado na "construção mais forte de mim". Acho que, por isso, te agradeço. Acho que esquecer não vou poder mas acho que posso dizer que estou bem agora.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

me poupe por favor!!

Vivemos em uma sociedade...bem...preconceituosa, machista, sexista e intolerante, tem coisas boas também viu, eu prometo haha, entre outras coisas que não vem ao caso falar aqui e nem agora. E, nem todos aceitam bem a convivência com pessoas que tenham algum tipo de limitação. A verdade é que todos nos temos alguma limitação mas, se me permitem uma rápida observação: o diferente gera ou, pode gerar, a oportunidade de nos vermos sobre uma outra perspectıva.
ô já deu ta....se achar que mesmo assim não vale a pena ficarmos juntos me faça o favor e saia da minha vida, pode ir embora. Não me iluda e não me engane, não perca meu tempo, isso não será bom nem para mim e nem para você. Então, se não estiver de boa com a situação, mesmo sofrendo, prefiro que vá embora...O únıco amor que vou precisar mesmo para o resto da minha vida é o meu, o resto é bônus haha. A verdade nua e crua é essa meus amigos :) E a verdade muıtas vezes dói né! hahaha
O mundo não é um lugar muıto gentil para quem tem alguma, ou em certos casos algumas, limitações. São pressões de todos os lados, falta de sensibilidade, noção, acessibilidade, compaıxão, etc.
Chega, vá embora daqui! Diz que aceita mas na primeira dificuldade tira o corpo fora, é cada besteira que ouvimos, chacota, piadas...QUE PORRE! Ainda bem que essas coisas diminuíram, bastante, na verdade quase não ouço mais esses tipo de coisas, pelo menos ao meu respeito, mas o que deve ter de gente que menospreza e/ou rebaixa pessoas que tem algo de diferente em si, que minam tanto que deixa a nossa autoestima bem "esmagada". Mas seja como for e seja quem for, é uma afronta para qualquer pessoa, deficiente ou não, lidar com algumas pessoas que ınsıstem em serem desdenhosos com o diferente.
Claro que não temos como exigir que saibam como somos, isso é da convivêncıa, aceitação, principalmente a para conosco mesmos. A verdade é que às vezes seria mais fácil se as pessoas com quem convivemos viessem com bula de instrução mas, como isso não é possível, é dando cabeçada mesmo que aprendemos...ou nem assım, na verdade hahaha
Outra verdade, para mim, é essa: mesmo que as agressões psicológicas do preconceito estejam cada vezes menores, espero, sempre terá alguém que pense, reage, fale e demonstre de todas as formas e feitio que, o diferente incomoda. E ele/ela sempre vai dar um jeito de te mostrar isso. Não tenho ilusões que isso não exista, sei disso e sei que mais cedo ou mais tarde alguma coisa vai aparecer mas, dessa vez, espero estar melhor preparada haha!

fila de cimena, aeroporto e afins

Não sei se me sinto lisonjeada ou afrontada. Por um lado afirmarem que não pareço ter um deficiência me causa um certo desconforto, (estranho), e por outro, como nunca tinha experenciado tal coisa e ainda por cima do jeito que aconteceu, como reagir a situações assim?
Bom, vamos contextualizar primeiro...tempos atrás, em uma fila de cinema de um shopping local de Brasília, estava eu na fila preferencial, como de costume, quando um homem que estava a minha frente na mesma fila me perguntou (em um tom nada amistoso) o que eu estava fazendo ali e, ainda acrescentou que meu lugar não era aquele. Bem...meu lugar....pensei...ora, quem ele pensa que é para falar com alguém daquele jeito! Fiquei tão...sei lá, era uma mistura de raiva com tristeza e espanto (pois fiquei sem reação), ai meu Deus, o que falar para pessoas tão sem compaixão, será que retruco, fico com raiva e dou uma resposta no mesmo tom que ele usou comigo ao se dirigir daquele jeito? Não...com toda paciência que me foi dada (eu acho) kkkk, falei explicando com a delicadeza com que nem sempre me trataram. - estou aqui porque tenho direito de estar aqui, e um direito meu por lei. E ainda complementei, não que devesse pois ele não tinha e não tem nada a ver com a minha vida, mas quis ser educada e explicativa ou até educativa, vai saber. - nasci com deficiência física, tenho mobilidade reduzida. Enquanto explicava a ele meu direito legitimo de estar la, a expressão de seu rosto foi ficando mais relaxada, diferente da abordagem que ele tinha feito minutos antes. Junto dele havia uma mulher o acompanhando e ela o advertiu, depois de presenciar toda a cena, que eu estava ali sabendo que se tratava de uma fila preferencial e que eu estava la porque certamente precisava. Fim de papo e fomos todos aproveitar nossas sessões de cinema.
Outro caso foi, estávamos um amigo e eu na fila preferencial de um aeroporto em São Paulo (agora sempre vou nessas filas), quando um senhor que estava atrás de nós perguntou, mas dessa vez em um tom mais aprazível, você sabe que isso é uma fila preferencial né? por que você esta aqui, está tudo bem? Eu já estava sinceramente de saco cheio dessas pessoas e, por conta do ocorrido no cinema, já estava com quatro pedras na mão. Mas o senhor havia me perguntado tão calmo e gentil, e gentilmente o respondi que estava ali porque tenho uma deficiência. O senhor, ao contrário do homem no cinema, disse: - não precisa justificar para ninguém que você esta aqui por isso ou aquilo, apenas diga, eu sei que é uma fila preferencial e estou aqui por direito. Fiquei surpresa com o que ele me disse que acabou sendo um dos assuntos que comentamos, meu amigo e eu, durante nosso percurso até São Paulo.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Sou assim...

Sou pessoa com deficiência, não porto nada e nem sou especial, até por que especiais todos somos. Não me vejo especial por ser deficiente. Posso fazer coisas especiais ou ser especial para alguém. Também não dá para tapar o sol com peneira, eu sou eu e minhas circunstâncias e sei onde meu calo aperta. Sou assim sim, mas não deixo de fazer nada do que quero, na medida do possível. "Consigo tudo que eu quero", não me lembro de ter dito isso, mas me afirmaram que eu disse hahaha!
Com o passar do tempo, já alguns rótulos foram postos em quem nasceu ou adquiriu algumas circunstâncias diferenciadas e acredito que não vai parar por aí não. Já fomos chamados de tantas coisas, nomes "inapropriados", palavras às vezes ofensivas e sujeitos a apelidos toscos e de muito mau gosto.
Pois eu te digo isso, essas coisas incomodam sim, e não é pouco não, mas chega uma hora que nada disso faz o menor sentido e acaba incomodando cada vez menos. Claro que há maneiras e maneiras de se lidar com esses tipos de coisa...o meu é escrever, pelo menos agora é escrever hahaha. Já bati em gente por me chamarem de um monte de nomes, xinguei etc. Disso não me orgulho, violência não ajuda em nada, mas na hora foi o que me ocorreu.
Cada um lida do jeito que dá, como consegue na hora, muda a forma de lidar com isso... ou não muda... sem julgar, tá, pessoal?

sexta-feira, 13 de abril de 2018

"uma estranha no ninho"

Nos anos 80 nascia um estranho no ninho na Capital Federal. Uma estranha porque é assim que me sinto muitas vezes mas, hoje, posso dizer que sou a "melhor estranha que posso ser".
Nos 90, por um ano e meio fui para outro canto, outro país, outra realidade mas, que era particularmente uma realidade mais parecida comigo do que aonde tenha nascido.
Ao chegar ao ano 2000 ingressei na minha primeira faculdade, apesar dos absurdos que tive que escutar (e que esporadicamente ainda escuto).
Hoje, a despeito das dificuldades, que a maioria enfrenta sozinha, enfrento do jeito que dá, peço ajuda quando não dou conta de alguma coisa mas na maioria das vezes faço sozinha mesmo. Tento, tento de novo, mas não deixo me vencer, de me testar.
Antes não andava, agora não só ando como desfilo. Não dirijo um carro mas dirijo "meu barquinho", velejo agora. Não me "balançava" direito, agora danço. E por aí vai...Faço tudo o que tenho vontade de fazer, sempre me respeitando é claro. Meu equilíbrio desequilibrado não é feio, faz parte de mim. Me desequilibro equilibrando pela vida, pelos meus limites, testados diariamente.
Vou me erguer de novo como tantas vezes já o fiz e, farei quantas vezes ainda precisar, pois agora posso estar assim meio quebrada mas me fortaleço a cada dia e você não vai me vencer não.
Crescemos todos os dias cercados por obstáculos e nos perguntamos se vamos conseguir...minha resposta: sim, vamos. Sei que parece frase de livro de auto ajuda mas, conseguiremos tudo que quisermos se quisermos, basta ter força de vontade....Certa vez me disseram que eu, não me recordo disso mas tudo bem, disse mais ou menos assim: eu consigo tudo que eu quero. Geniosa eu né hahahaha
Não somos quem já fomos um dia, mudanças externas e internas às vezes são necessárias, cicatrizes visíveis e invisíveis são forjadas na pele como lembranças que surgem sem convite. Tudo isso para dizer que não importa o tempo que levar a gente consegue.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Criança grande

Se algo está incomodando sugiro que fale logo antes que seja tarde demais. As pessoas não adivinham sabe? Não temos bola de cristal!
Dialógo faz bem...deve ser por isso que converso comigo mesma hahaha. Falo comigo também através dessas páginas. Antes que digam que sou doidinha, o que não deixa de ser verdade haha, falo com outras pessoas também mas, é que nem sempre dá. Então, se não tem tu, vai tu mesmo sabe.
Agora, se tem algo em mim que está te incomodando, não vou adivinhar a menos que você me fale né? Imagino que meu jeito expansivo de ser possa incomodar e até estaranhar muita gente, ainda mais nos tempos de hoje, onde todo mundo te julga pelo jeito que você é, pelo jeito que você se veste, pelo jeito que você fala, o jeito que você pensa...enfim por tudo.
Vendo tanta coisa que me parece errada no mundo, a tentativa de ver a vida e as coisas de um jeito mais brando  parece, ás vezes, ser uma tarefa complicada. Mas não desisto não viu.
Pensamentos e sentimentos que não agradam aos ouvidos me parecem irritar a quem, na minha opinião, mais deveria ouvir, mas não suporta "meus barulhos".
Um ser pensante até que sou, mas não em pensamentos "padrão", "normal". Não entendo porque isso não tem lugar, soa tão estranho, tão...eu.
Sinto por diversas vezes que, querendo me expressar e acabar incomodando as pessoas, a voz que tenho está sendo calada contra minha vontade. Vontade de gritar mas não sai, choro também não vem, só a vontade, de raiva e de tristeza. Parece que a escala hierárquica quer me dominar trazendo o veto para a cena, a impressão que dá é que o discurso de "quem manda aqui" insiste em se apresentar a mim.
Quando digo que sou uma criança grande, apenas quis dizer que tento não trazer tanta seriedade para mim, sabendo que é necessária e tem hora certa para aparecer, pois, sabendo das limitações que me foram dadas e "tirando vantagem" das circunstâncias, tento, com todas as dificuldades que o mundo apresenta não só para mim mas para outras pessoas, ver e sentir as possibilidades que as coisas podem ter. Para mim pelo menos podem.
Gosto de ser extrovertida, alegre, quando assim me é permitido, de falar com todo mundo, ser bricalhona...enfim, procuro a leveza com que as crianças vêem o mundo. Sei que para uma mulher de seus 31 anos isso possa soar meio estranho mas não me importo, escolho sempre a leveza à frieza; a alegria ao mau humor; a palhaçada (na medida) à tudo a ferro e a fogo, a seriedade demais; Sei, é claro, que nem sempre dá para ser assim mas, para mim pelo menos, assim a vida vale muito mais a pena ser vivida.
Quem não gosta de mim assim...paciência.
Fico irritada pois a mim me parece que algumas pessoas devem acreditar que só funciono a base de gritos e ignorância.