Que cordão estamos falando? Uma coisa já adianto, não são aquele cordões dourados ou prateados, com pingentes que brilham no sole e servem para enfeitar o peito quando a gente resolve sair de casa mais arrumadinha. É outro tipo de cordão, um mais polêmico talvez. Um que não enfeita: identifica.
Já faz um
tempo, me questionaram sobre cordão de identificação para pessoas com
deficiência. Perguntaram por que não usava um. Hum... para que preciso me
identificar? Vejamos, convivo comigo mesma e com minhas dificuldades há tanto
tempo que para que vou identificá-la? Já sei de cor e salteado os estigmas que
podem vir junto com qualquer rótulo, sei onde doí, onde aperta, onde incomoda e,
sinceramente não estou disposta a lidar com isso mais um vez. Já carreguei
olhares tortos, suposições apressadas e aquela compaixão mal calibrada que pesa
mais do que ajuda.
Vejam, não
sou contra e nem a favor. A inciativa existe e eu entendo, respeito. É
opcional...e essa palavra, opcional deveria vir sublinhada, em negrito, talvez
até piscando. Sendo assim, cabe a própria pessoa decidir se quer usar ou não,
se vê a necessidade. Há quem se sinta mais seguro/a, mais visto/a, mais
compreendido/a. E isso é legitimo.
No fim das contas, cada pessoa sabe do seu próprio caminho. Sabe o que
precisa, o que dispensa, o que dói, o que protege. Se o cordão ajuda alguém a
respirar melhor no mundo, que bom. Mas se não faz sentido para mim, também está
tudo certo.
A polêmica do cordão, no fundo, acho que nem é exatamente sobre o cordão,
ou talvez seja, não sei. Acredito que seja mais sobre autonomia. Sobre o
direito de escolher como existir, como se apresentar, como ser lida. E isso,
ah… isso não cabe em nenhum acessório.
Tem outra coisa que esqueci de comentar...está na lei, tem aspectos legais e
tudo, porque no Brasil tudo tem artigo, um inciso, uma portaria escondida em
algum lugar, mas não me sinto representada por um cordão. O que deveria ajudar,
às vezes atrapalha, sabe. Já somos tradados/as diferentes quando sabem que
temos alguma deficiência, para mim esses cordões parecem um aviso luminoso
(porque tem cordões de várias cores viu): cuidado. Sei que não é essa a
intenção, mas é assim que sinto, que estigmatiza mais ainda. E com isso, não
quero faltar com respeito a ninguém ta. É só minha opinião no momento. Estou
aberta a conversar se quiserem😉.
E já que estamos aqui, vale esclarecer, vamos organizar isso aqui, só para
entendermos direitinho o que cada cordão significa:
Cordão Girassol = identifica
pessoas com deficiências ocultas ou não aparentes, como surdez, autismo e
deficiência intelectual.
Cordão Quebra-Cabeça símbolo internacional para identificar
pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). (confesso que não gosto,
pois, quebra cabeça é um jogo de achar peças faltando, não de definir pessoas)
Cordão do Infinito = representa a neurodiversidade, como
autismo, TDAH e dislexia.
Deve ter outros por ai, não sei não...
Aí, claro, fui pesquisar o porquê das coisas, que normalmente
tenho a curiosidade e o ímpeto de fazer, é quase um esporte para mim.
O girassol, que é uma flor que gosto muito, por exemplo, represente
a felicidade, positividade, força e crescimento (pesquisei no Google ta😊). Sinceramente não entendo o motivo de acharem
que o girassol fosse a melhor opção para usar como cordão para deficiências ocultas,
mas acho que deve ter uma explicação, quase tudo tem né?
O quebra cabeça, acho que dispensa comentários, ou não? Qual
a opinião de vocês? A minha já expus😉
Infinito, esse símbolo sim, sempre
gostei do símbolo. Simboliza as infinitas variedades, as infinitas
formas de ser, de pensar, de existir.
Se algum dia eu decidir usar um cordão (que não seja daqueles com pingentes), talvez seja esse.(Ou acho um infinito de pingente). Não para me identificar para o mundo, mas para me lembrar, eu
mesma, de que sou múltipla, complexa, inteira.
E, no fim, talvez seja isso: cada um escolhe o que faz sentido para si. Cordão nenhum dá conta da nossa história inteira. Ainda bem 😌
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