Vejam bem, meus caros... esse blog acabou virando uma espécie de diário virtual. Não que tivesse planejado algo tão confessional assim, mas quando percebi já estava me derramando pelas linhas. E quer saber? Até que faz sentido. Se é para escrever, que seja de corpo inteiro, memórias, pensamentos, tropeços, etc.
Não é vitimismo, presunção, nem qualquer rótulo que às vezes
querem colar na gente quando resolvemos falar de si. Descobri, quase que sem
querer, ser muito terapêutico escrever sobre nossas experiência e visões
enquanto PCD e é isso que tenho tentado fazer desde então. Um tipo de conversa
silenciosa comigo mesma.
Quando olho para trás, percebo algo curioso: fora o período
no instituto na Hungria, acho que nunca tive contato com outras pessoas com
deficiência, o que hoje não sei se foi bom ou ruim. Talvez tenha me deixado
mais solitária em algumas descobertas, talvez tenha me dado uma independência
meio forçada. Mas o fato é, gostemos ou não, diariamente aprendemos a lidar com
nossas dificuldades, sejam elas físicas, emocionais ou aquelas que surgem de
repente, no meio de alguma semana.
E, eu vou continuar escrevendo, porque cada palavra que
coloco aqui é sentimento, seja decepção ou alegria, ou o que vier. É um forma
de existir, de brigar marcar presença, de gritar: “estou aqui viu”.
Sempre que pude, tentei, aliás, tento, falar o que me
incomoda. E acho isso ok, mas minha intenção nunca fui me fazer de coitada, até
porque isso eu não sou. Vou continuar escrevendo o que penso, como penso, o que
vivencio, as experiências que me são apresentadas e atravessadas e, sempre que
puder, adiciono ou tento adicionar uma pitada de humor (agora acho que já sei
como 😉).
Lembro de coisas que me custaram um poucos revive-las na
minha memória e acredito que estou conseguindo ressignifica-las (algumas são
mais difíceis que outras, mas acho que estou chegando lá.
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