Tem coisa que a gente não engole. Não desce com água, não desce com café, não desce nem com um suspiro fundo que a gente dá quando quer parecer zen, mesmo quando a alma está mais para panela de pressão😂. Sabe aqueles comentários ou perguntas incômodas que ficam atravessados na nossa garganta? Então, às vezes fica ruminando aqui dentro e não sabemos responder, né? (calma, respira e não pira). Como responde isso gente?
Já me disseram que tenho as respostas na ponta da língua.
Ah, quem dera fosse assim.... se tivesse, já tinha virado ninja de devolutiva
elegante. Acredito que algumas pessoas precisam que devolvam o constrangimento,
sabe. Essa é uma arte que ainda não dominei muito bem 😉,
até ensaio mentalmente, mas travo na hora H, a língua se aposenta, a mente
congela, e o momento passa como ônibus que a gente vê indo embora enquanto
ainda está procurando o cartão. Acredito que aos pouquinhos vou sintonizando
direitinho. E olha que tem gente que faz isso como uma diva, sem sair do salto
e sem perder o tom, não perde a compostura, as estribeiras😊.
Não dizem que a palavra dita, a flexa lançada e uma palmada
(ou soco), são coisas que não voltam mais? Então, a questão é que palavras
podem ferir mais do que qualquer flexa (nunca levei uma e espero nunca levar😉).
Machucam em um lugar que a gente nem sabe como proteger. E, quando se percebe,
já passou o momento de responder, se defender, sequer querer revidar, de tão
paralisada que pode-se ficar.
Acho que... devolver o constrangimento seja uma habilidade
que aos poucos talvez consigamos encontrar, talvez se aprenda devagar, como
quem afina um instrumento para tocar bem. Não digo devolver na mesma moeda, até
porque acho que nem concordo muito com isso, mas pelo menos certas coisas conseguir
não engolir calada.
Enquanto isso, enquanto tento aperfeiçoar essa técnica de
devolver sem ferir ninguém no processo (ainda não sei se é possível), de
responder sem me perder no caminho, finto com o básico: calma, respira e não
pira.
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