domingo, 9 de agosto de 2026

Sou atípica... prefiro que me chamem de Júlia :)

Sou filha, neta, sobrinha e... atípica. Sabia que era única 😊

Não, mas brincadeiras à parte, sou e sempre fui uma filha atípica. Para quem não é familiarizado/a com o termo, ser atípica significa ter alguma deficiência, alguma condição que escapa do padrão imposto por nossa querida sociedade.... E aqui vale uma pausa: que padrão é esse, afinal? Quem foi que decidiu o que cabe, o que não cabe e quem precisa se explicar para existir?... beijinho no ombro dessa sociedade muitas vezes hipócrita, que finge acolher enquanto mede tudo com régua torta😉

Mas existe um capítulo dessa história que sempre me chamou atenção: o papel de quem cuida. Porque, mesmo com exceções (e elas existem, sim), sabemos que o cuidado de uma criança atípica recai, quase sempre, sobre a mãe. Socialmente, culturalmente, historicamente… as cuidadoras. É como se o mundo dissesse: “Pai ajuda, mãe cuida”. E pronto, está decretado.

Mesmo quando há pai e mãe juntos, dividindo a vida, a casa, as contas, o amor… o peso do cuidado costuma escorregar para o colo da mãe. Ela vira especialista em terapias, consultas, relatórios, crises, conquistas, remédios, burocracias e, claro, no amor que sustenta tudo isso. Enquanto isso, o pai muitas vezes é visto como “participativo” só por estar ali — como se presença fosse prêmio.

E eu, do meu lugar de filha atípica, sempre observei isso. Não com culpa, mas com consciência. Porque crescer atípica é também crescer percebendo quem segura o mundo quando ele pesa demais.

Talvez por isso eu diga, com certa leveza e um sorriso no canto da boca: sou filha, neta, sobrinha… e atípica. Única, sim. Mas feita de muitas mãos que me sustentaram — e de uma sociedade que ainda precisa aprender a não colocar ninguém em caixas, muito menos em caixas com asterisco.