quinta-feira, 30 de maio de 2019

me poupe por favor!!

Vivemos em uma sociedade...bem...preconceituosa, machista, sexista e intolerante, tem coisas boas também viu, eu prometo haha, entre outras coisas que não vem ao caso falar aqui e nem agora. E, nem todos aceitam bem a convivência com pessoas que tenham algum tipo de limitação. A verdade é que todos nos temos alguma limitação mas, se me permitem uma rápida observação: o diferente gera ou, pode gerar, a oportunidade de nos vermos sobre uma outra perspectıva.
ô já deu ta....se achar que mesmo assim não vale a pena ficarmos juntos me faça o favor e saia da minha vida, pode ir embora. Não me iluda e não me engane, não perca meu tempo, isso não será bom nem para mim e nem para você. Então, se não estiver de boa com a situação, mesmo sofrendo, prefiro que vá embora...O únıco amor que vou precisar mesmo para o resto da minha vida é o meu, o resto é bônus haha. A verdade nua e crua é essa meus amigos :) E a verdade muıtas vezes dói né! hahaha
O mundo não é um lugar muıto gentil para quem tem alguma, ou em certos casos algumas, limitações. São pressões de todos os lados, falta de sensibilidade, noção, acessibilidade, compaıxão, etc.
Chega, vá embora daqui! Diz que aceita mas na primeira dificuldade tira o corpo fora, é cada besteira que ouvimos, chacota, piadas...QUE PORRE! Ainda bem que essas coisas diminuíram, bastante, na verdade quase não ouço mais esses tipo de coisas, pelo menos ao meu respeito, mas o que deve ter de gente que menospreza e/ou rebaixa pessoas que tem algo de diferente em si, que minam tanto que deixa a nossa autoestima bem "esmagada". Mas seja como for e seja quem for, é uma afronta para qualquer pessoa, deficiente ou não, lidar com algumas pessoas que ınsıstem em serem desdenhosos com o diferente.
Claro que não temos como exigir que saibam como somos, isso é da convivêncıa, aceitação, principalmente a para conosco mesmos. A verdade é que às vezes seria mais fácil se as pessoas com quem convivemos viessem com bula de instrução mas, como isso não é possível, é dando cabeçada mesmo que aprendemos...ou nem assım, na verdade hahaha
Outra verdade, para mim, é essa: mesmo que as agressões psicológicas do preconceito estejam cada vezes menores, espero, sempre terá alguém que pense, reage, fale e demonstre de todas as formas e feitio que, o diferente incomoda. E ele/ela sempre vai dar um jeito de te mostrar isso. Não tenho ilusões que isso não exista, sei disso e sei que mais cedo ou mais tarde alguma coisa vai aparecer mas, dessa vez, espero estar melhor preparada haha!

fila de cimena, aeroporto e afins

Não sei se me sinto lisonjeada ou afrontada. Por um lado afirmarem que não pareço ter um deficiência me causa um certo desconforto, (estranho), e por outro, como nunca tinha experenciado tal coisa e ainda por cima do jeito que aconteceu, como reagir a situações assim?
Bom, vamos contextualizar primeiro...tempos atrás, em uma fila de cinema de um shopping local de Brasília, estava eu na fila preferencial, como de costume, quando um homem que estava a minha frente na mesma fila me perguntou (em um tom nada amistoso) o que eu estava fazendo ali e, ainda acrescentou que meu lugar não era aquele. Bem...meu lugar....pensei...ora, quem ele pensa que é para falar com alguém daquele jeito! Fiquei tão...sei lá, era uma mistura de raiva com tristeza e espanto (pois fiquei sem reação), ai meu Deus, o que falar para pessoas tão sem compaixão, será que retruco, fico com raiva e dou uma resposta no mesmo tom que ele usou comigo ao se dirigir daquele jeito? Não...com toda paciência que me foi dada (eu acho) kkkk, falei explicando com a delicadeza com que nem sempre me trataram. - estou aqui porque tenho direito de estar aqui, e um direito meu por lei. E ainda complementei, não que devesse pois ele não tinha e não tem nada a ver com a minha vida, mas quis ser educada e explicativa ou até educativa, vai saber. - nasci com deficiência física, tenho mobilidade reduzida. Enquanto explicava a ele meu direito legitimo de estar la, a expressão de seu rosto foi ficando mais relaxada, diferente da abordagem que ele tinha feito minutos antes. Junto dele havia uma mulher o acompanhando e ela o advertiu, depois de presenciar toda a cena, que eu estava ali sabendo que se tratava de uma fila preferencial e que eu estava la porque certamente precisava. Fim de papo e fomos todos aproveitar nossas sessões de cinema.
Outro caso foi, estávamos um amigo e eu na fila preferencial de um aeroporto em São Paulo (agora sempre vou nessas filas), quando um senhor que estava atrás de nós perguntou, mas dessa vez em um tom mais aprazível, você sabe que isso é uma fila preferencial né? por que você esta aqui, está tudo bem? Eu já estava sinceramente de saco cheio dessas pessoas e, por conta do ocorrido no cinema, já estava com quatro pedras na mão. Mas o senhor havia me perguntado tão calmo e gentil, e gentilmente o respondi que estava ali porque tenho uma deficiência. O senhor, ao contrário do homem no cinema, disse: - não precisa justificar para ninguém que você esta aqui por isso ou aquilo, apenas diga, eu sei que é uma fila preferencial e estou aqui por direito. Fiquei surpresa com o que ele me disse que acabou sendo um dos assuntos que comentamos, meu amigo e eu, durante nosso percurso até São Paulo.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Sou assim...

Sou pessoa com deficiência, não porto nada e nem sou especial, até por que especiais todos somos. Não me vejo especial por ser deficiente. Posso fazer coisas especiais ou ser especial para alguém. Também não dá para tapar o sol com peneira, eu sou eu e minhas circunstâncias e sei onde meu calo aperta. Sou assim sim, mas não deixo de fazer nada do que quero, na medida do possível. "Consigo tudo que eu quero", não me lembro de ter dito isso, mas me afirmaram que eu disse hahaha!
Com o passar do tempo, já alguns rótulos foram postos em quem nasceu ou adquiriu algumas circunstâncias diferenciadas e acredito que não vai parar por aí não. Já fomos chamados de tantas coisas, nomes "inapropriados", palavras às vezes ofensivas e sujeitos a apelidos toscos e de muito mau gosto.
Pois eu te digo isso, essas coisas incomodam sim, e não é pouco não, mas chega uma hora que nada disso faz o menor sentido e acaba incomodando cada vez menos. Claro que há maneiras e maneiras de se lidar com esses tipos de coisa...o meu é escrever, pelo menos agora é escrever hahaha. Já bati em gente por me chamarem de um monte de nomes, xinguei etc. Disso não me orgulho, violência não ajuda em nada, mas na hora foi o que me ocorreu.
Cada um lida do jeito que dá, como consegue na hora, muda a forma de lidar com isso... ou não muda... sem julgar, tá, pessoal?

sexta-feira, 13 de abril de 2018

"uma estranha no ninho"

Nos anos 80 nascia um estranho no ninho na Capital Federal. Uma estranha porque é assim que me sinto muitas vezes mas, hoje, posso dizer que sou a "melhor estranha que posso ser".
Nos 90, por um ano e meio fui para outro canto, outro país, outra realidade mas, que era particularmente uma realidade mais parecida comigo do que aonde tenha nascido.
Ao chegar ao ano 2000 ingressei na minha primeira faculdade, apesar dos absurdos que tive que escutar (e que esporadicamente ainda escuto).
Hoje, a despeito das dificuldades, que a maioria enfrenta sozinha, enfrento do jeito que dá, peço ajuda quando não dou conta de alguma coisa mas na maioria das vezes faço sozinha mesmo. Tento, tento de novo, mas não deixo me vencer, de me testar.
Antes não andava, agora não só ando como desfilo. Não dirijo um carro mas dirijo "meu barquinho", velejo agora. Não me "balançava" direito, agora danço. E por aí vai...Faço tudo o que tenho vontade de fazer, sempre me respeitando é claro. Meu equilíbrio desequilibrado não é feio, faz parte de mim. Me desequilibro equilibrando pela vida, pelos meus limites, testados diariamente.
Vou me erguer de novo como tantas vezes já o fiz e, farei quantas vezes ainda precisar, pois agora posso estar assim meio quebrada mas me fortaleço a cada dia e você não vai me vencer não.
Crescemos todos os dias cercados por obstáculos e nos perguntamos se vamos conseguir...minha resposta: sim, vamos. Sei que parece frase de livro de auto ajuda mas, conseguiremos tudo que quisermos se quisermos, basta ter força de vontade....Certa vez me disseram que eu, não me recordo disso mas tudo bem, disse mais ou menos assim: eu consigo tudo que eu quero. Geniosa eu né hahahaha
Não somos quem já fomos um dia, mudanças externas e internas às vezes são necessárias, cicatrizes visíveis e invisíveis são forjadas na pele como lembranças que surgem sem convite. Tudo isso para dizer que não importa o tempo que levar a gente consegue.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Criança grande

Se algo está incomodando sugiro que fale logo antes que seja tarde demais. As pessoas não adivinham sabe? Não temos bola de cristal!
Dialógo faz bem...deve ser por isso que converso comigo mesma hahaha. Falo comigo também através dessas páginas. Antes que digam que sou doidinha, o que não deixa de ser verdade haha, falo com outras pessoas também mas, é que nem sempre dá. Então, se não tem tu, vai tu mesmo sabe.
Agora, se tem algo em mim que está te incomodando, não vou adivinhar a menos que você me fale né? Imagino que meu jeito expansivo de ser possa incomodar e até estaranhar muita gente, ainda mais nos tempos de hoje, onde todo mundo te julga pelo jeito que você é, pelo jeito que você se veste, pelo jeito que você fala, o jeito que você pensa...enfim por tudo.
Vendo tanta coisa que me parece errada no mundo, a tentativa de ver a vida e as coisas de um jeito mais brando  parece, ás vezes, ser uma tarefa complicada. Mas não desisto não viu.
Pensamentos e sentimentos que não agradam aos ouvidos me parecem irritar a quem, na minha opinião, mais deveria ouvir, mas não suporta "meus barulhos".
Um ser pensante até que sou, mas não em pensamentos "padrão", "normal". Não entendo porque isso não tem lugar, soa tão estranho, tão...eu.
Sinto por diversas vezes que, querendo me expressar e acabar incomodando as pessoas, a voz que tenho está sendo calada contra minha vontade. Vontade de gritar mas não sai, choro também não vem, só a vontade, de raiva e de tristeza. Parece que a escala hierárquica quer me dominar trazendo o veto para a cena, a impressão que dá é que o discurso de "quem manda aqui" insiste em se apresentar a mim.
Quando digo que sou uma criança grande, apenas quis dizer que tento não trazer tanta seriedade para mim, sabendo que é necessária e tem hora certa para aparecer, pois, sabendo das limitações que me foram dadas e "tirando vantagem" das circunstâncias, tento, com todas as dificuldades que o mundo apresenta não só para mim mas para outras pessoas, ver e sentir as possibilidades que as coisas podem ter. Para mim pelo menos podem.
Gosto de ser extrovertida, alegre, quando assim me é permitido, de falar com todo mundo, ser bricalhona...enfim, procuro a leveza com que as crianças vêem o mundo. Sei que para uma mulher de seus 31 anos isso possa soar meio estranho mas não me importo, escolho sempre a leveza à frieza; a alegria ao mau humor; a palhaçada (na medida) à tudo a ferro e a fogo, a seriedade demais; Sei, é claro, que nem sempre dá para ser assim mas, para mim pelo menos, assim a vida vale muito mais a pena ser vivida.
Quem não gosta de mim assim...paciência.
Fico irritada pois a mim me parece que algumas pessoas devem acreditar que só funciono a base de gritos e ignorância.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Mundo estranho com gente esquisita

O mundo não é meu inimigo, mas em certos momentos me dá uma puta vontade de gritar: QUE MERDA VOCÊS ESTÃO FAZENDO?
Eu não entendo e, sinceramente, por mais que seja importante, algumas coisas eu perco o interesse e a vontade de entender.
Já me perdi, me confundi, me decepcionei. Mas tem coisas boas também. Tudo tem dois lados, nada é só ruim nem nada é só bom.
Aí, nesse meio tempo, vemos pessoas indo e vindo, se indispondo uns com outros, brigando com a vida,"batendo a cara na parede". E tudo isso para que?
Mundo estranho com gente esquisita, onde quando não se tem o que quer ou, do jeito que se quer, pessoas podem até matar por isso. Um briga com outro e vira uma tremenda confusão. É tudo muito errado, esquisito.
Vivemos em um mundo onde uma história que tem tudo para ser feliz acaba se tornando triste porque, de vez em quando, vai ter um filho da puta que vai tentar tirar vantagem de você, te enganar, e sei lá mais o que.
Não sei se ser como eu sou é uma qualidade ou um defeito mas, parece que nunca é o bastante né?
Não se nasce com um manual de instrução e nem bula. Às vezes sinto como se estivesse sendo punida por ser como sou.
Sinto tudo com muita intensidade, confesso que isso me perturba. Não sei o que fazer e nem como agir. Me sinto diferente. Sou diferente. Às vezes nem sei mais quem sou, onde me encontro. Sou limitada, não no sentido de não poder fazer as coisas, muito pelo contrário, faço o que posso e como posso, mas as limitações das quais falo acho que são menos físicos e agora acho que são mais psíquicas. Não sou burra, entendo o que me dizem, só tenho, digamos, uma percepção das coisas acho que meio fora do "normal". Sei que a culpa não é minha e isso me deixa muito triste, pois sei que já sou uma pessoa vulnerável por ser mulher e deficiente.
Mas sinto julgada constantemente, como se estivessem mil olhos sobre mim, além dos que realmente me cercam, só esperando qual é a próxima burrada que vou fazer. Já me sinto muito diminuída.
Assim como todo mundo, tenho meu próprio tempo e jeito de lidar com as coisas. Já disseram que tenho uma percepção peculiar, mas não falaram isso de um jeito bom, soou tão negativo quando foi dito. PUTA QUE PARIU! Ninguém sente do mesmo jeito, não se se vê do mesmo jeito e, certamente não se percebe do mesmo jeito.
Porque tudo tem que ser tão negativo? Se eu percebo diferente de você, não estou errada e nem certa, precedo e enxergo outras possibilidades e/ou oportunidades além da sua, vejo outras maneiras que não sejam só a sua. A vida apresenta uma determinada coisa para você e isso é processado por você de um jeito, já para mim são de vários jeitos diferentes e, escolho o melhor para mim, o que funciona melhor que, possivelmente não vai ser o melhor jeito para um bando de gente.
Peculiaridade pode ser uma coisa boa também. Sei que o exemplo pode não ser muito bom mas, vai lá...a moeda não tem seus dois lados? Não existe Ying e o Yan?
E como diz a peça: a vida pode ser boa, ruim ou...assim assim.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

conversas filosóficas em um café

A primeira vista talvez não se perceba mas com o tempo eventualmente acabo sendo notada pela minha, digamos, caminhada meio desequilibrada.
Estava conversando outro dia com um amigo sobre as dificuldades com que cada um de nós nascemos. A conversa ficou meio filosófica e, foi assim: se pudéssemos escolher como nascer não teríamos escolhido algo que nos causasse sofrimento, que nos fizéssemos ser humilhados, ou até excluídos.
Não pedi para nascer assim mas aos poucos fui me acostumando e, mais tarde, me aceitando. De primeira não foi assim mas, aos pucos minhas dificuldades foram se tornando mais minhas amigas do que minhas inimigas.
Passei por muitas coisas para estar aqui, nem todas foram lá muito agradáveis mas que fizeram e fazem parte de quem eu sou e, mais tarde, de quem eu decidi ser. Passei também por muitas pessoas que achavam, com toda convicção do mundo que eu não seria nada, não conseguiria nada ...surpresa...consegui e, estou conseguindo.
Já pensei em tanta coisa para dizer para quem já me fez mal, "aqui você não entra mais, não vou deixar mais você me machucar".  Nunca mais, vou fazer o que for para me preservar. Não tem como fugir mesmo né? Vamos encarar então . Não quero mais perder meu tempo me desgastando com a maldade desse mundo, tentando muitas vezes me defender do que não precisa de defesa, na minha concepção. Parece que precisamos nos desculpar por sermos quem somos. É um ultrage! Nos superamos diariamente e isso já é difícil para caramba.
Tive a sorte de "descobrirem" minha condição física cedo.
Alguns livros nos quais pesquisei para realizar um trabalho classificam minha deficiência como doença...NÃO, NÃO, NÃO. Não sou doente e nunca estive, o que tenho é uma consequência de uma lesão cerebelar que ocasionou as limitações que me acompanham desde que me entendo por gente. Já na infância consegui tratamento.
Eu não uso bengala, já tenho dificuldade com duas pernas imagina com três, que dirá com quatro. Cadeira de rodas também não uso, só quando me acidento muito feio.
As quedas ainda me acompanham, me orgulho em dizer que já são menos frequentes mas, isso não significa que elas não existam.
Não tenho medo da morte pois, se pensarmos bem, pelo menos eu já pensei nisso, eu me desequiliro, já me machuquei em diversas situações, às vezes pouco, às vezes mais, um dia só pode ser um pouco mais do que o normal. Veja bem, tomo cuidado, até poque gosto muito de mim sabe hahaha, mas se vivermos sempre com medo, não sairíamos nem da cama. Pelo que me consta, quem nasce "diferente", dentro das suas possibilidades, tem suas escolhas para viver sua vida. Só procuro ser realista com a minha, tenho meus sonhos também sabe, meus planos, que procuro um jeito de concretizá-los, da melhor maneira possível sem me machucar, ou pelo menos não muito, se não tiver jeito.
Só decidir que não iria deixar as minhas limitações me limitarem a ponto de desistir de fazer aquilo tudo que eu quero fazer, por mais que haja algumas dificuldades nisso, não vou deixar que isso se torne algo impossível para mim.