sexta-feira, 3 de julho de 2026

O que era uma vez?

É difícil esse “era uma vez...” Talvez porque essa frase carregue uma promessa grande demais: de que tudo começou num ponto claro, mágico e organizado, com felizes para sempre e tal. Mas e para nós, como seria a história? Uma história PCD... Baseada em fatos reais? Histórias de ressignificações? Histórias que não cabem em conto de fadas, mas cabem perfeitamente na vida... E, cada vida tem suas complexidade né 😉

Bom....de qualquer forma, cada um tem a sua. A minha foi escrita há quarenta anos e ainda tenho o que contar. Já deixei algo contado em alguns textos por aí...fragmentos, vislumbres, lembranças, pedaços que escapam e precisei entender ou simplesmente registrar, etc.

Deixem que me explique... sempre ou quase, me intriga saber o porquê das coisa... Está bem...de algumas coisas😉. E, dessa vez foi a famosa frase “era uma vez...” Porque, convenhamos, para muita gente essa frase abre portas para mundos perfeitos, príncipes, florestas encantadas, finais previsíveis. Para mim, ela abre outra coisa: uma história que não começou com magia, mas com realidade. Uma história que não se desenrola em linha reta, mas em curvas, desvios, tropeços e recomeços. Uma história que não pede licença para existir, ela simplesmente existe.

E talvez seja isso que me intriga: como é que a gente encaixa nossas vivências, nossas adaptações, nossas ressignificações dentro de uma frase tão redondinha? 😕Talvez não encaixe. Talvez o “era uma vez” seja só um convite para começar, mesmo que o começo não seja bonito, nem fácil, nem cinematográfico.

Se eu tivesse que definir meu começo, diria que ele foi torto. Mas foi meu. E, por ser meu, carrega uma força que só quem vive sabe. A força de quem aprende a caminhar de outro jeito. A força de quem aprende a se explicar, se adaptar, se reinventar. A força de quem entende que a história não precisa ser perfeita para ser bonita.

Primeiro: essa frase “era uma vez”, foi e é usado mais na esfera imaginária, dos contos de fadas...tendo “nascido” lá no século XVII e que transporte o/a leitor/a para um universo mágico e cheio de entretenimento. E segundo: meu “era uma vez” não tem fada madrinha, mas tem gente que segura nossa mão. Não tem castelo, mas tem resistência. Não tem feitiço, mas tem descobertas que mudaram tudo. E, principalmente, tem continuidade, pois sigo me revisitando, entendendo, ressignificando.

E, tem humor. Isso é algo que procuro sempre que posso. Porque se a gente não rir, a história fica pesada demais. E eu aprendi que rir é também uma forma de ressignificar. É tipo dizer: “ok, vida, você me deu um desafio, mas eu vou responder com uma piada" (nem sempre dá mas tentamos)!

E assim sigo: escrevendo meu “era uma vez” com realidade, coragem e umas boas risadas no meio. Então, sim... era uma vez.

Era uma vez uma menina que nasceu diferente. 

Era uma vez uma família que aprendeu junto. 

Era uma vez uma vida que não cabia nos contos de fadas, mas cabia perfeitamente no mundo real.

Ah... Penso assim agora, está bem? Não sou tão desenrolada ou desconstruída assim. Sou só...eu e minhas circunstâncias 😉

Até a próxima 😊

6 comentários:

  1. Juuuu!!

    Seu "Era uma vez" começou e segue sendo escrito perfeitamente, sabe por que? Porque ele é seu, porque traz consigo a sua história, as suas necessidades, os seus aprendizados adquirimos e ainda em potência... Nenhuma outra pessoa escreveria tão bem a sua história quanto você mesma. E, no mais, a perfeição não é isso, esse "encaixe" entre o autor e sua obra? A sociedade infelizmente trouxe pra gente uma noção de perfeição arraigada a um padrão estético, engessado, normativo e tenta aos poucos nos fazer esquecer o fundamental: ela está justamente nas diferenças porque são estas que nos fazem crescer, aprender.
    Amei o texto e tua forma de escrever!

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    1. Super pertinente e importante sua reflexão! É exatamente isso, a sociedade está tão arraigada nessa ideia deturpada, na minha opinião, de perfeição, que oprime quem não se encaixa nessa ideia.
      Meu era uma vez sempre foi idealizado pelos contos de fadas que via e assistia. Só que ai percebi que não tinha ninguém "igual" a mim nesses contos. E hoje, percebo que meu felizes para sempre ou final feliz como nos contos é a constante busca de de mim mesma, de uma história respeitosa, sem romantizar, sendo fiel a mim

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  2. Ju,como contador de histórias e escritor, sinto.que o nosso era uma vez é o início da busca pela Acessibilidade para todos e cada dia da vida é realmente um livro aberto onde a gente constrói novos capítulos com.retiscencias , conquistas, histórias, sem ponto final

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    1. Com certeza...a busca pela acessibilidade, respeito, inclusão e não somente integração. E a busca não para...não deve parar...

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