Nem tudo gira em torno da deficiência, mas ela faz parte de mim, veio para ficar. É uma presença constante, mas não define completamente quem sou.
Vejamos... Criei o blog em 2010, tinha 24 anos, então tive
tempo de sobra para eu perceber, de novo, que nunca tinha tido um colega com
deficiência, um amigo com deficiência. Queria escrever sobre a vida, e a vida,
por acaso, incluía uma deficiência, e era apenas um dos aspectos presentes nesse cotidiano. Uma das minhas caraterísticas (morena, meio baixinha 😂, olhos castanhos etc., e com uma deficiência).
Durante minha
trajetória escolar, exceto por uma breve passagem pela Hungria, que não era bem
uma escola, sempre fui a única com uma circunstância diferenciada, para quem
prefere termos mais rebuscados 😊.Gosto de pensar que era apenas eu, tentando
acompanhar o ritmo dos outros no meu próprio compasso. Na faculdade, isso se
repetiu: era a única aluna com deficiência, carregando não só a mochila, mas
também o olhar curioso dos colegas. Não era maldade, ou assim eu esperava. Era
novidade, e novidade, às vezes, pesa.
Atualmente, ou não
atualmente assim, sabemos que existem vários tipos de deficiência, inclusive
aquelas que ninguém vê. As deficiências ocultas sempre existiram, mas só
recentemente começaram a aparecer, a se apresentar, dizendo “oi, eu também
estou aqui”. Acho isso bonito.
Agora, na segunda
faculdade, terminando (tomara que dê tudo certo), encontrei colegas também com deficiência e, foi
curioso perceber como isso me trouxe uma sensação de pertencimento que eu nem
sabia que estava faltando ou que estava procurando.
O blog nasceu do
desejo de desmistificar. De mostrar, quer dizer, com palavras escritas e
não só faladas, que posso fazer tudo
que qualquer pessoa sem deficiência faz, do meu jeito, claro. Cada um tem o
seu, e o meu jeito só tem algumas curvas diferentes no caminho.
E, ao longo dos anos ele, esse blog, se tornou uma espécie
de diário virtual, onde a deficiência não é a única protagonista e sim uma
pessoa que tem uma deficiência, mas que a deficiência não a tem... Veem a
diferença?
Às vezes me
exponho um pouco demais, mas nada sério ou comprometedor. Apenas a vida
acontecendo. Já pensei em transformar essas crônicas em um livro, mas fica a
dúvida: como seria, quais seriam os capítulos, por onde começar?
O mais difícil já
tenho: minha voz. O resto é questão de organização e de deixar espaço para o
que ainda está por vir😉
Oiê! Quando descobrimos que pertencemos é mágico. Eu com você e com tantos outros divergentes me in sinto na escola dos mutantes. Hahahahah beijão
ResponderExcluirkkk adorei.....
Excluirnão achava muito engraçado antes mas agora me adoro do jeitinho que sou...só é chato às vezes, não vou romantizar também, mas hoje até que me divirto