Colecionar títulos (ás vezes sem título mesmo😂) é quase um hobby involuntário, daqueles que vão surgindo na vida sem pedir licença. Cada novo título, por mais simples que pareça, encontra espaço na minha história e acaba por refletir um pedaço do que sou. Não se trata de reconhecimento oficial, mas sim de pequenas marcas que vou acumulando, transformando em textos, trocando ideias e, muitas vezes, revivendo memórias. Tem gente que coleciona moedas, figurinhas, livros… eu coleciono (estou colecionando) títulos. Não diplomas, títulos mesmo. Aqueles que a gente inventa, se apega, transforma em trabalho, palestra, blog, artigo e, quando vê, já viraram quase uma identidade paralela.
O meu preferido? No limite do equilíbrio.
Ah… esse aí eu guardo no peito como quem guarda um
bilhete antigo. E pensar que nasceu lá na 5ª série, num meio-pesadelo que virou
frase, que virou válvula de escape, que virou blog. Quem diria!
E aqui estou eu de novo, mexendo nesse título como quem
mexe em cicatriz antiga: com cuidado, mas com carinho.
Sempre quis escrever crônicas. Daquelas que misturam riso
com reflexão, que contam a vida sem precisar transformá-la em drama épico.
Porque, convenhamos, quando se tem uma deficiência, parece que o mundo inteiro
espera que sua história venha com trilha sonora triste e a frase “exemplo de
superação” colada na testa.
E eu? Eu só queria contar minhas coisas. Do meu jeito.
Sem pesar, sem florear, sem transformar cada obstáculo em montanha do Himalaia.
Vou contar para vocês a sagas dos títulos e, como cada
um virou um pedacinho de mim: Quando fui defender minha primeira monografia, lá
em 2009, queria falar de inclusão escolar. Pesquisei, pensei, repensei… até que
minha orientadora (obrigada, Kátia!) sugeriu olhar para a inclusão a partir da
minha própria vivência. E assim nasceu: Inclusão – No limite do equilíbrio.
A primeira vez que usei “meu” título oficialmente. Um
marco.
Mas antes disso já tinha escrito sobre teatro e
deficiência, dois trabalhos, inclusive, porque estudante que é estudante sempre
tem mais de uma entrega na mesma semana. E foram eles: O fazer teatral para pessoas com deficiência. (era para ser: o fazer teatral de acordo com as possibilidades de cada um, mas ficou muito grande. Os dois trabalhos foram com o mesmo título mas para matérias diferentes.
Depois veio a psicologia, e com ela a vontade de
continuar o que já tinha começado. No primeiro estágio, inventei de falar sobre
conscientização. Resultado?: Inclusão: Os Efeitos da Conscientização sobre o
Comportamento de Universitários com Relação ao Bullying e, na mesma semana: Inclusão:
O efeito do bullying na vida adulta
Um deles virou painel. Olha eu aí, toda exibida no
corredor da faculdade😄
Em 2018, escrevi com uma professora (que depois virou
orientadora) um trabalho sobre religião, identidade e mentalidade
fundamentalista no Brasil: O “olhar” de psicólogos/as. A ideia
inicial era falar sobre fundamentalismo religioso como forma de preconceito (como
certas crenças ainda são usadas para justificar preconceitos contra pessoas com
deficiência). Sim, isso existe. Sim, em pleno século XXI. Sim, dá vontade de
revirar os olhos.
E em 2023, publiquei no CEUB o artigo que tanto gosto: No
limite do equilíbrio: desconstrução do capacitismo. O título voltou, firme
e forte. Teimoso, igual a mim 😊
Eu achava que monografia era uma matéria só. Ingênua. Virou
projeto no primeiro semestre de 2025, monografia no segundo semestre, com o título: Vivendo
em uma Sociedade Capacitista: Barreiras para a Inclusão.
E agora, já que ela não foi publicada, estou aqui
planejando transformá-la em artigo. De novo. Sim, mais um.
Mas dessa vez quero outro título, sem perder a essência,
claro. E também uma versão para o blog, bem mais curtinha, porque ninguém
merece ler monografia no café da manhã.
E, no final das contas, acho que minha insistência com
títulos é menos sobre palavras bonitas e mais sobre dar sentido ao caminho.
Cada título é uma fase, uma descoberta, um pedaço da minha história que eu
recuso transformar em drama, mas também não escondo.
E se tudo isso começou com uma frase escrita na 5ª série,
talvez seja porque algumas coisas já nascem com destino certo (será que
acredito em destino, gente!), mesmo que a gente só perceba muitos anos depois.
Agora sigo aqui, lapidando o próximo título.
Porque, no limite do equilíbrio, a gente sempre encontra
um jeito de continuar escrevendo.